O secretário-geral do PS acusou hoje o Governo de se ter metido “numa trapalhada” com as medidas previstas no último relatório do FMI, da qual “quer sair” com “um apelo” ao Partido Socialista.
“De cada vez que o Governo se mete numa trapalhada e quer sair dela o que é que faz? Um apelo ao Partido Socialista”, criticou António José Seguro, a propósito da proposta de PSD e CDS-PP para constituição de uma comissão eventual sobre a reforma do Estado.
“Conheceu-se um estudo [FMI] na trapalhada que todos sabemos. Dar a um jornal sem ter a coragem de assumir os resultados do estudo que pediram. Isto não são maneiras de governar o país”, afirmou António José Seguro, assegurando: “Não estaremos [na comissão]”.
O líder socialista sublinhou ainda a indisponibilidade do partido para participar no “corte de 4 mil milhões de euros nas funções sociais” do Estado, declarando: “É uma opção do Governo que não contará com o apoio do PS, pelo contrário, contará com a oposição”.
Durante uma visita oficial a Paredes de Coura, instado a apontar a posição que o PS adoptará caso as medidas agora conhecidas venham a ser implementadas pelo Governo, António José Seguro afirmou apenas apoiar “a modernização” do Estado.
“Não contém com PS para desmantelar o Estado social. Vamos continuar a apresentar propostas, a dialogar com os portugueses, demonstrando que existe um caminho alternativo”, disse, rematando: “Água mole em pedra dura tanto dá até que fura”.
Pela voz do líder da bancada, o PS advertiu hoje a maioria PSD/CDS-PP que não fará parte de uma comissão eventual parlamentar sobre reforma do Estado se esta não for séria e se destinar exclusivamente a cortar quatro mil milhões de euros.
“A proposta da maioria PSD/CDS-PP de criar uma comissão eventual para a reforma do Estado não é séria. A maioria PSD/CDS-PP nunca quis de facto fazer a reforma do Estado e apenas pretende branquear o corte de quatro mil milhões de euros necessário devido à incompetência da sua gestão orçamental”, acusou Carlos Zorrinho.
O presidente do Grupo Parlamentar do PS disse depois que se ainda existissem dúvidas sobre a falta de seriedade política da maioria PSD/CDS na questão da reforma do Estado “bastará para tal revisitar todo o processo”.
“Soube-se da existência de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal por um comentador [Marques Mendes], soube-se que houve um estudo por um comentador, tivemos conhecimento do estudo por um jornal [Jornal de Negócios] e na quinta-feira voltou a ser um comentador a anunciar que a maioria PSD/CDS-PP iria propor a criação de uma comissão eventual. Isto mostra uma atitude leviana por parte de um Governo que está impreparado para fazer face à gravidade que o país está a viver”, sustentou.
Interrogado sobre se o PS está disponível para integrar a comissão, Carlos Zorrinho respondeu que o processo “não é sério”.

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