O secretário-geral do PS, António José Seguro, desvalorizou hoje as declarações da directora do FMI sobre o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos por Portugal, reafirmando que o país precisa de “mudar de caminho” e “aliviar” a austeridade.
“As instituições internacionais nestes momentos dizem sempre o que já diziam há dois ou três anos, que os países vão no bom sentido, também diziam isso em relação à Grécia”, afirmou o líder socialista, acrescentando que “a realidade é bem diferente e os resultados da política de excesso de austeridade deste Governo são resultados negativos”.
António José Seguro, que falava aos jornalistas na Ribeira Grande, nos Açores, comentava as declarações de Christine Lagarde, directora do FMI, para quem o programa de assistência a Portugal está a ser cumprido e não necessita de ajustamentos.
“O excesso de austeridade não é a cura, é a doença que agrava a crise internacional e quem paga isso são os portugueses”, afirmou, defendendo ser “fundamental que o país alivie os sacrifícios exigidos aos portugueses e às empresas”.
Para António José Seguro, “as receitas que têm sido aplicadas para sair da crise estão completamente erradas”, frisando a importância de “encontrar soluções que coloquem o emprego e o crescimento económico como prioridade para a consolidação das contas públicas”.
O secretário-geral do PS, que falava à entrada para um almoço com autarcas socialistas de S. Miguel, defendeu a necessidade de uma reforma do poder local, mas criticou a “leizinha de extinção de freguesias” apresentada pelo governo.
“O PS disponibilizou-se em Julho para trabalhar com o Governo na reforma do poder local, que começasse por uma nova lei eleitoral autárquica e incluísse uma nova lei de atribuições e competências, uma nova lei de financiamento e uma lei de organização do território, mas o Governo não quis a ajuda do PS e partiu sozinho para esta caminhada errada”, afirmou.
Ontem à noite, Seguro apontou os Açores como exemplo de desenvolvimento sem descurar o rigor nas contas públicas. “Há outro caminho para consolidar as contas públicas. Se eu fosse primeiro-ministro também teria que adoptar medidas de austeridade, mas a diferença está na dose, porque há portugueses que já não aguentam”.
Seguro referiu-se ainda às eleições presidenciais de hoje em França, afirmando que espera uma “grande vitória” de François Hollande. “São os franceses que votam, mas também é a Europa que está em causa nas eleições que estão hoje decorrer para a presidência francesa”.
PS classifica de “equívocas” afirmações sobre candidatura de Conde Rodrigues
O grupo parlamentar do PS classificou de “equívocas” as declarações do líder do CDS/PP sobre a candidatura de Conde Rodrigues ao Tribunal Constitucional, recordando que aquela proposta de candidatura teve assinaturas de deputados do CDS-PP, PSD e PS.
“Perante as declarações equívocas de Paulo Portas sobre a candidatura de José Conde Rodrigues ao Tribunal Constitucional (TC), o líder parlamentar do PS falou com o líder parlamentar do CDS-PP, recordando que o curriculum vitae do candidato recebeu prévia luz verde da atual maioria e a proposta de candidatura foi apresentada com as assinaturas de deputados do PSD, CDS-PP e do PS”, refere o grupo parlamentar socialista.
A posição dos socialistas surge depois de Paulo Portas ter desafiado sábado o PS a repensar a escolha do ex-secretário de Estado da Justiça Conde Rodrigues para juiz do Tribunal Constitucional. “Preocupo-me com a credibilidade do TC, acho que o Tribunal precisa de juízes credíveis e não de juízes de partido. Se o PS o pensar melhor, não o criticarei por isso”, disse Paulo Portas.

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