PS lembra que está nas mãos do CDS haver eleições legislativas

Deputado centrista João Almeida questiona posição dúbia do PS em relação à troika e pergunta aos socialistas se preferem vangloriar-se da crise política.

João Soares defende eleições antecipadas Daniel Rocha

O deputado do PS João Soares pediu nesta quinta-feira a abertura de “um novo ciclo governativo”, com a realização de eleições legislativas, depois de criticar uma maioria “aritmética e burocrática” e "zombie".

No período de declarações políticas em plenário, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa dirigiu-se à bancada do CDS, numa resposta ao deputado João Almeida, para pedir que “abram uma janela para o país”. “Está nas vossas mãos irmos para eleições”, disse.

João Soares tinha começado a sua declaração por acusar o Governo de “escavar o buraco da recessão e do desânimo”, assinalando as divergências no Governo e a contestação de antigos dirigentes do PSD ao próprio executivo. “O país não precisa de um Governo que não se entende, que se contradiz e que discorda de si próprio. Que trata os rendimentos dos reformados e dos pensionistas como fonte de receita para fazer face aos seus sucessivos erros”, afirmou João Soares.

O deputado socialista salientou ainda existir hoje uma maioria. “É uma maioria aritmética, uma maioria burocrática. É hoje uma maioria zombie”, disse, apontando a democracia como o regime que gera a solução alternativa. “Hoje – e no que a prazo é divisável – não há outra solução que não abrir um novo ciclo governativo”, disse, defendendo que pedir eleições legislativas “é o passo que falta e urge dar”.

João Almeida assinalou a posição dúbia do PS relativamente à atitude perante a troika. “Os senhores estão do lado da maioria ou da troika? Ou preferem vangloriar-se da crise política?”, questionou, reiterando de que a aplicação de uma taxa sobre os pensionistas significaria uma crise política no Governo.

Pelo PSD, o deputado Nuno Encarnação contestou: “O senhor nunca desconfiou do voto popular enquanto foi presidente da câmara. Por que é que agora desconfia do voto popular?”

As bancadas do PCP e do BE partilharam das críticas ao Governo lançadas por João Soares, mas quiseram clarificar a posição do PS face ao memorando. Na resposta, João Soares lembrou o que defendia Álvaro Cunhal antes do 25 de Abril para derrubar o Governo para dizer que “recomenda prudência em matéria da renegociação do memorando”. 
 

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