O PS considera que os resultados da economia portuguesa no primeiro trimestre são consequência do clima de incerteza, colocam em causa o cenário macroeconómico da sétima avaliação da troika e introduzem novas dificuldades ao Orçamento Rectificativo.
Estas posições foram assumidas esta quarta-feira por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, após o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado que, segundo a primeira divulgação das contas nacionais trimestrais, a economia portuguesa registou uma queda de 3,9%no primeiro trimestre de 2013 em relação a igual período do ano passado.
Esta queda do Produto Interno Bruto (PIB) revela uma aceleração da degradação da economia, já que no último trimestre de 2012 a economia tinha registado uma queda de 3,8% face aos últimos três meses de 2011.
“O PS regista que a espiral recessiva continua a aprofundar a recessão em Portugal.” O país “está no décimo primeiro trimestre com queda pronunciada do PIB e desta vez após os muito maus resultados verificados no quarto trimestre de 2012”, observou o dirigente socialista.
De acordo com Eurico Brilhante Dias, os resultados do primeiro trimestre deste ano “colocam em causa o cenário macroeconómico que saiu do sétimo exame regular” da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia). “Estes resultados também vão introduzir na preparação do Orçamento Rectificativo novas dificuldades”, sustentou o membro do Secretariado Nacional do PS.
O dirigente socialista considerou ainda que, na base destes resultados negativos da economia portuguesa, “está a incerteza gerada pelo novo pacote de austeridade, com cortes previstos nas pensões”.
“A procura interna é o elemento central que está a decrescer mais do que o previsto. Se os portugueses estão a viver grandes dificuldades, com elevada incerteza quanto aos seus rendimentos para o futuro próximo, os empresários também olham para esta incerteza e não investem - e é o investimento que está a cair de forma pronunciada”, apontou Eurico Brilhante Dias.
O membro do Secretariado Nacional do PS sustentou depois que o investimento só voltará a arrancar “quando a espiral recessiva for estancada e quando os empresários tiverem confiança que a procura irá retomar”.
“Enquanto não houver confiança, enquanto a incerteza permanecer, enquanto se verificar uma crise política contínua em torno do Governo e da coligação [PSD/CDS], enquanto não for dado ao país um rumo concreto para a saída da crise, a falta de confiança e a incerteza continuarão a adensar a recessão”, acrescentou.

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