PS critica a “incompetência, arrogância e impreparação” do Governo

Socialistas fazem interpelação ao Governo sobre políticas de emprego e combate à exclusão social. Ministro da Economia responde com necessidade de obter um “consenso de regime”.

"Os portugueses sentem no dia-a-dia as políticas erradas", alerta deputado do PS Nuno Ferreira Santos

O PS acusou, esta quarta-feira, o Governo de ser de uma “insensibilidade” gritante, ao insistir no caminho da austeridade que tem aplicado nos últimos dois anos, em vez de dar prioridade às políticas de crescimento e de fomento do emprego.

No arranque da interpelação ao Governo sobre políticas de emprego e combate à exclusão social, da iniciativa do PS, o deputado Miguel Laranjeiro afirmou que desde Junho de 2011 “nenhum indicador melhorou e o país é menos competitivo a nível mundial”, insistindo no número de um milhão de desempregados actuais e nos 460 mil postos de trabalho que a coligação PSD/CDS-PP “destruiu”.

Miguel Laranjeiro descreveu um “panorama negro” do país, dois anos depois de o actual Governo ser eleito: “O país está pior, os portugueses vivem muito pior, o número de insolvências tem recordes, os portugueses pagam mais impostos, há mais pobres, mais pobreza, mais fome, mais miséria, os portugueses não conseguem acompanhar o aumento das rendas, muitos não podem pagar a luz, a água ou a renda ou vivem na rua por falta de rendimento.”

“Estamos muito pior por responsabilidade exclusiva de um Governo que escolhe a austeridade fosse qual fosse o resultado”, apontou o deputado socialista.

“Até membros do Governo sabem que este caminho é errado. Mas o Governo continua imbuído de uma insensibilidade gritante.” A que se junta a “insensibilidade” do primeiro-ministro ao reconhecer que o “desemprego é alto mas depois diz que vai aumentar”, mas também a “incompetência, arrogância e impreparação dos membros do Governo”.

“Os portugueses sentem no dia-a-dia as políticas erradas. E é ao país real que esta interpelação do PS quer dar voz”, justificou Manuel Laranjeiro.

Pegando nos exemplos do encerramento dos postos dos CTT (110 esta semana), da extinção de freguesias, da redução de 300 mil consultas médicas em 2012, dos idosos que são retirados dos lares e das crianças que os pais retiram do pré-escolar – em ambos os casos porque as famílias não podem pagar –, dos 30 mil funcionários públicos que o executivo quer despedir, o deputado socialista acusa o Governo de querer “fechar o país”. “Mas os portugueses irão dar resposta, mais depressa despejam este Governo por incompetência do que deixam fechar Portugal por completo”, avisou Laranjeiro.

“O Governo promove o medo entre os portugueses: medo de perderem o emprego, medo de não saberem como será o mês seguinte, medo de não terem dinheiro para uma consulta médica”, apontou Miguel Laranjeiro. “Temos de remar todos para o mesmo lado, mas não é este Governo que o vai fazer.”

Consenso de regime

Pelo lado do Governo, o ministro da Economia e do Emprego optou por sublinhar o esforço do executivo para reduzir “o desemprego estrutural” através de medidas de apoio ao investimento e à criação de empresas. Álvaro Santos Pereira falou mesmo na necessidade de obter “um consenso de regime” para enfrentar as duas maiores “emergências” do país: desemprego e necessidade de apoiar as pequenas e médias empresas.

O ministro não deixou de sublinhar, no entanto, o “contexto particularmente adverso” e voltou a frisar que o desemprego é o principal problema do país. Mas essa trajectória preocupante, criticou o governante, começou “há uma década”.

 O desemprego crescente é devido a políticas erradas, aliás, estes problemas não foram resolvidos pelo partido e pelos governos” do PS, acusou o ministro.  

Santos Pereira falou ainda de algumas das “medidas mais arrojadas” com que o Governo tem avançado de estímulo ao investimento e à economia, enumerando o “supercrédito fiscal”, o apoio ao investidor estrangeiro e várias medidas de combate à burocracia, assim como a reforma já aprovada da “indústria responsável”.

Mas foi por mais de uma vez que Álvaro Santos Pereira falou da necessidade de “um acordo político de regime” para resolver os problemas estruturais do país. “É importante obter consensos de regime entre os principais partidos do arco da governação em torno da competitividade fiscal, da aposta no sistema dual e no ensino profissional e do financiamento das nossas pequenas e médias empresas”, disse.
 
 
 
 
 
 
 
 

Comentários

Comentar

Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários.

Caracteres restantes:

Nos Blogues