A eurodeputada socialista Edite Estrela considerou hoje que “não há grande sinceridade” na proposta do Bloco de Esquerda para formar um governo de unidade de esquerda.
O comentário foi feito à entrada da sede nacional do PS, onde decorre um encontro entre António José Seguro, secretário-geral do PS, e os deputados socialistas eleitos para o Parlamento Europa.
António José Seguro não quis comentar a proposta do BE, limitando-se a cumprimentar os novos líderes bloquistas.
A nova liderança do Bloco de Esquerda - saída da VIII Convenção Nacional do BE, que hoje terminou em Lisboa -- propôs uma convergência política com vista à formação de um governo de unidade de esquerda, mas impôs ao PS a condição de “romper com o memorando” da troika -- composta por Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia.
“Não há grande sinceridade nesta pretensa abertura, porque o que o Bloco de Esquerda diz é que o PS tem de mudar. Não compete ao Bloco dizer o que é que o PS tem que fazer”, reagiu Edite Estrela, em declarações aos jornalistas.
Edite Estrela defendeu que “há outro caminho para Portugal, diferente do que está a ser seguido pelo Governo” e garantiu que o PS “está sempre disponível para debater”. Mas, realçou, “onde PSD e CDS vêem só cifrões, o PS vê pessoas”.
À chegada ao mesmo encontro, a eurodeputada socialista Ana Gomes sublinhou que seria “uma insensatez rasgar o memorando da troika”, embora reconheça que é preciso renegociar os termos do programa de ajustamento financeiro.
Sobre a visita da chanceler alemã, Angela Merkel, a Lisboa, na segunda-feira, Ana Gomes considerou que “é uma oportunidade para ser dito pelos portugueses que a receita está errada”.
Merkel “não sabia qual era a realidade em Portugal”, criticou Ana Gomes, referindo-se a uma reunião, realizada na semana passada, em que a chanceler alemã classificou Portugal como “um caso de sucesso na Europa”.

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