O projecto de lei do PS que impõe uma redução do teor do sal no pão foi aprovado hoje com os votos a favor de todas as bancadas, à excepção de cinco deputados do CDS e da abstenção de um deputado do PSD. No primeiro caso, os centristas que votaram em sentido diferente do resto da bancada alegam que a imposição de um tecto máximo de sal no pão é uma intromissão directa do Estado num hábito pessoal. O projecto será agora discutido em especialidade.
A proposta socialista estipula que o teor máximo de sal no pão passe a ser de 1,4 gramas por cada 100 gramas de pão e prevê coimas que oscilam entre os 500 e os 5 mil euros, definindo ainda orientações para a rotulagem de alimentos pré-embalados.
Actualmente, há grande diversidade na quantidade de sal utilizado no pão nas várias zonas do país, mas "o pão português de maior consumo, o chamado pão 'normal', possui entre 18-21 gramas de sal por quilo, ao passo que o 'pão integral' é fabricado com uma média de 15 gramas", refere o documento, destacando que o pão português "tem, em média, muito mais sal que o pão dos restantes países europeus".
O projecto de lei considera ainda que a informação nos rótulos dos alimentos pré-embalados para consumo humano deve ser bem visível, de fácil leitura, "objectiva, simples, que inclua dados sobre a quantidade relativa e absoluta de sal na embalagem". E propõe-se ainda ao Governo que estude a possibilidade de proibição da venda de alimentos hipersalinos e hipercalóricos nas escolas.
Para a presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, Alexandra Bento, a iniciativa tem todo o mérito: "Consumimos o dobro do sal recomendado pela OMS e, como um dos veículos para este consumo é o pão, esta medida é muito importante como sinalização", afirma.

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