A formação de um “governo de esquerda” foi o ponto comum na apresentação, ao início da tarde deste sábado, das duas moções concorrentes na VIII Convenção do Bloco de Esquerda (BE), a decorrer em Lisboa. O que difere é a forma. Pedro Filipe Soares criticou a postura do PS, enquanto João Madeira pediu “menos tacticismo” em relação a socialistas e a comunistas.
“O nosso adversário é a troika e a direita”, afirmou o historiador João Madeira, que encabeça a lista à Mesa Nacional do BE pela moção B. “Temos de reagir com menos tacticismo em relação ao PS e ao PCP.”
Pedro Filipe Soares, que falou antes para apresentar a moção A, já tinha ido directo ao assunto. Não para ensaiar qualquer aproximação aos socialistas, mas para condenar o que entende ser uma indefinição do PS, que pede mais tempo para ajustar as contas públicas. “Mais tempo é a Grécia”, considerou. “Será possível que Seguro acredite que, se for ele a falar com Merkel, ela será mais meiguinha do que foi com Sócrates ou Passos?”
Seguiu-se o ataque: “Nós não esperamos que tudo fique pior para que se possa ter um melhor resultado eleitoral. Nós não trocamos mais de um milhão e 200 mil desempregados por um lugar no Conselho de Estado ou no Conselho de Ministros.”
Apontado como futuro líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares sublinhou que “num governo de esquerda não se entra por cartão, entra-se por convicção”. “Haja política à esquerda e nós estaremos lá”, disse, em resposta antecipada ao discurso de João Madeira. “Não aceitamos que nos digam em democracia que não há escolha.”
O historiador João Madeira defendeu, por seu lado, uma maior participação dos militantes do BE como activistas nos movimentos sociais: “O crescimento da nossa influência tem sido lento. Crescer significa mais enraizamento social.” “Temos de estar, não como partido, mas como activistas sociais e políticos que somos, articulando isso com a frente parlamentar, e não o contrário.”

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