PCP vê visita de Merkel como "afronta" e pede que portugueses manifestem descontentamento

O Partido Comunista Português (PCP) vê a visita da chanceler alemã, Angela Merkel, como uma “afronta”, expressão de uma “visão neocolonialista” de Portugal, e pediu hoje a todos os portugueses que segunda-feira façam ouvir o seu descontentamento.

Em conferência de imprensa, Ângelo Alves, membro da comissão política, disse que a “visita oficial da chanceler alemã a Portugal constitui uma afronta ao povo português, à sua dignidade e soberania”, sendo, por isso, “um acto contrário aos interesses nacionais”.

Para o Partido Comunista, a visita de Angela Merkel vai contra os interesses dos trabalhadores e do povo português e os interesses e as opções que estão por detrás desta deslocação demonstram a “autêntica colonização económica de Portugal”, já que para os comunistas a chanceler alemã e a sua comitiva “são simultaneamente carrascos e beneficiários do declínio económico” do país.

“A visita da mais alta mandatária do Estado alemão não se realiza no quadro de amizade e cooperação entre os povos de Portugal e da Alemanha, sendo antes uma expressão de arrogância e de uma visão neocolonialista de Portugal”, defendeu Ângelo Alves.

Estes são motivos suficientes para que o PCP entenda que Merkel só pode ser recebida de uma forma: com “um coro de protesto e luta” contra as políticas e os interesses que a chanceler alemã vem representar.

“Aqueles que se vão encontrar no Palácio de Belém, no Forte de São Julião da Barra e no Centro Cultural de Belém, estrangeiros e nacionais, comungam de um mesmo objectivo: manter e acentuar o poder económico e político do grande capital, nacional e estrangeiro, e do directório de potências da União Europeia”, disse o membro do partido.

Ângelo Alves garantiu que o PCP “tudo fará para impedir a colonização económica do país” e deixou o apelo para que os portugueses “façam ouvir bem alto a sua voz contra a afronta que representa a presença desta comitiva em Portugal”.

O membro da comissão política dos comunistas não quis especificar acções de protesto, mas defendeu que as formas de protesto não se esgotam segunda-feira e são resultado de “uma luta que o povo português tem vindo a travar, cada vez com maior mobilização e grau de unidade”.

“Amanhã [segunda-feira] será um dia simbólico pela presença desta comitiva em Portugal e, portanto, a manifestação que está convocada para o Largo Camões, em Lisboa, e outras acções por este país fora serão uma demonstração desta determinação e desta coragem em dizer não às políticas contrárias aos direitos dos trabalhadores”, defendeu Ângelo Alves.

Nesse sentido, apontou que a greve geral marcada para quarta-feira, dia 14, será “um ponto fundamental” na luta em defesa do país e por uma “política patriótica e de esquerda”.

Durante a conferência de imprensa, disse também que os interesses e orientações que Angela Merkel defende não são exclusivos da chanceler, mas que são resultado da “natureza e do desenvolvimento do processo de integração capitalista na Europa”.

Por outro lado, o PCP rejeita o que chama de “manobras de diversão” em torno da “chamada renegociação política do memorando” e reitera a necessidade de rejeição do “pacto de agressão”, garantindo que existem alternativas e que “o país não está condenado à pobreza”.


 

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