A bancada comunista quer ouvir a actual secretária de Estado do Tesouro, mas também os seus antecessores desde o Governo de Durão Barroso sobre a celebração dos contratos swap (contratos de alto risco).
São 79 os responsáveis políticos, de empresas e de instituições financeiras que o BE quer ouvir numa primeira fase na comissão de inquérito sobre as swap (contratos de alto risco). À cabeça, o actual ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o seu antecessor Teixeira dos Santos. O pedido de audições abrange "os que tiveram responsabilidades políticas - como António Mexia e Mário Lino [ministros das Obras Públicas dos governos PS], administradores de empresas e queremos saber se foram chantageados pela banca", afirmou aos jornalistas a deputada Ana Drago.
A bloquista é especialmente crítica de Vítor Gaspar. "Foi tão lesto a cortar salários e depois ficou sentado em cima dos contratos durante dois anos sem os denunciar e sem fazer nada para uma renegociação", afirmou. Na lista do BE estão banqueiros como Ricardo Salgado (Banco Espírito Santo) e responsáveis do BNP Paribas Portugal, Citybank, Barclays Portugal, Credit Suisse, JP Morgan.
O BE, tal como o PCP, pede com urgência o envio do relatório do IGCP sobre os contratos. A lista de propostas para audições apresentada pelo PCP também nesta sexta-feira na comissão de inquérito inclui ainda os presidentes de empresas como a Metro de Lisboa, a Metro do Porto, a Refer bem como os responsáveis de bancos envolvidos na celebração ou na reestruturação destes contratos. A bancada comunista quer ouvir ainda o actual e os antigos presidentes da agência de gestão e tesouraria e dívida pública (ex-IGCP).
Para já, o PCP não chama nenhum ministro ou ex-ministro, nem do actual Governo, mas o deputado Paulo Sá sublinha que a lista de audições, com cerca de duas dezenas de entidades, "é preliminar". O objectivo, sublinhou, "é de apurar todas as responsabilidades das empresas públicas mas também da tutela e das empresas externas que foram assegurando a celebração destes contratos lesivos para o Estado".
O deputado pede ainda com carácter de urgência o envio ao Parlamento do relatório do IGCP sobre a celebração dos contratos swap por empresas públicas que "é importantíssimo para o início dos trabalhos" da comissão de inquérito.

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