PCP não espera boas notícias para trabalhadores da reunião da concertação social

Não há “saída patriótica” sem “rasgar” o memorando da troika, diz Jerónimo de Sousa Foto: Rui Gaudêncio

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou este domingo não esperar da reunião da concertação social de segunda-feira “boas notícias”, defendendo que está em curso uma “operação” para, “por outro método”, abandonando a Taxa Social Única (TSU), “roubar os mesmos”.

“É um momento importante na medida em que, tudo indica, está em curso uma operação em que, em nome de largar as alterações à Taxa Social Única, se procura por outro método, por outra via, ir roubar os mesmos do costume, ou seja, os trabalhadores e os reformados”, afirmou Jerónimo de Sousa sobre a reunião da concertação social de segunda-feira.

O líder comunista, que falava aos jornalistas após a reunião do Comité Central do PCP, defendeu que, “seja pela TSU, seja com corte de meio salário, como alguns propõem, seja por alterações aos escalões, seja do bolso esquerdo ou do bolso direito, é sempre retirando dos bolsos de quem vive do seu trabalho, dos seus rendimentos”.

“Queremos manifestar a nossa profunda preocupação com a auto-satisfação do PS por este recuo em relação à TSU. Como se hoje a vida dos portugueses, estes assaltos sucessivos aos seus rendimentos, aos seus salários, não fossem suficientes para manter uma posição de rejeição desta política e deste pacto de agressão”, argumentou. “Veremos o que se passa nesta segunda-feira, mas aquilo que nós pensamos é que não serão boas notícias para quem trabalha e vive dos seus rendimentos, porque são estes que o Governo quer fazer pagar a factura da crise e da austeridade”.

“O PS esteve dez dias na oposição”

Jerónimo de Sousa defendeu que o convite feito pelo Bloco de Esquerda à apresentação de uma moção de censura por todas as forças da oposição ficou comprometido com a posição “previsível” do PS.

“O PS esteve dez dias na oposição. Anunciou uma moção de censura que nunca iria apresentar e voltou ao princípio da austeridade inteligente”, acusou, numa referência ao facto de o líder socialista admitir recuar caso o Governo deixe cair o aumento TSU para os trabalhadores.

Questionado sobre uma eventual coligação de esquerda, o líder comunista sublinhou que não há “saída patriótica e de esquerda” sem “rasgar” o memorando de entendimento, mas diz que o PCP “está pronto e capaz de assumir todas as responsabilidades que o povo lhe quiser atribuir”.

“Em relação a esse convite ou essa proposta, os pressupostos que ela continha e que foram anunciados deixaram de ter âmbito e objecto na medida em que o PS fez o que era previsível”, afirmou.

Para Jerónimo de Sousa, “o PS, com a posição que tomou relativamente a esse convite voltou a integrar-se na co-responsabilização desta política de direita”. “A questão de fundo é esta: o PS poderia subscrever uma moção de censura a uma política que emana desse instrumento de agressão que é o chamado memorando da troika, quando ele é um dos subscritores”, questionou.

O PCP insiste que “a censura mais forte, com consequências mais fortes é a que se manifesta, indigna e luta” e, nesse âmbito, que “melhor se pode expressar a convergência, como acontecerá, com certeza, no dia 29, no Terreiro do Paço”.

O secretário-geral comunista recordou que o PCP apresentou uma moção de censura há três meses, mas avançou que caso se concretize alguma moção, “com certeza haverá convergência de voto”.

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