PCP acusa “troika interna” de ser coveira das freguesias

BE fala em “guerra” declarada às populações. Maioria parlamentar chumba projectos de lei que revogavam reorganização autárquica.

Parlamento apreciou 12 petições contra extinção de diversas freguesias Miguel Manso

O deputado do PCP Paulo Sá acusou esta sexta-feira o PS, o PSD e o CDS de serem os coveiros das freguesias ao insistirem numa reforma autárquica que prevê a “demolição” de uma das mais importantes conquistas da democracia.

PCP, BE e Os Verdes apresentaram no Parlamento três projectos de lei que revogam a reforma administrativa territorial autárquica. As iniciativas legislativas foram chumbadas pela maioria parlamentar PSD/CDS. O PS votou a favor, ao lado das bancadas do PCP, do BE e de Os Verdes.

“A liquidação de mais de mil freguesias é uma peça num processo mais vasto de desmantelamento do poder local democrático”, disse o deputado do PCP Paulo Sá. E apresentou uma paleta de razões contra uma reforma que carece de eficácia, que não contribui para a coesão territorial e que acentua desigualdades.

O deputado eleito pelo círculo de Faro criticou a cumplicidade dos socialistas, que ao terem assinado o memorando da troika se comprometeram com a reforma em curso. "O PS não está isento de responsabilidades, pois, tal como o PSD e o CDS, negociou e subscreveu o pacto de agressão da troika e pretende ditar a sentença de morte das autarquias locais. Por muito que ao PS custe ouvir isto, a verdade é que os três partidos da troika interna são os coveiros das freguesias", disse Paulo Sá.

Já a deputada Helena Pinto, do Bloco, criticou uma “suposta reforma” feita à revelia da vontade dos autarcas e das populações. A parlamentar do BE acusou a maioria de “declarar guerra” às autarquias e deixou um apelo: “Era bom que cada um de vós desse a cara aqui nesta Assembleia da República e votasse contra as vossas freguesias e concelhos.”

O deputado José Luís Ferreira, de Os Verdes, defendeu que o que motivou esta reorganização administrativa não foi o interesse das populações mas apenas extinguir freguesias e assim “poupar uns trocos”. José Luís Ferreira criticou uma reforma que impede os contribuintes de terem acesso aos órgãos do poder local, naquilo que classificou como “um atentado” à democracia.

PSD e CDS recusaram as críticas e frisaram que todos os portugueses terão uma freguesia.

No mesmo dia em que os três projectos foram discutidos, o Parlamento apreciou ainda 12 petições, com cerca de 35 mil subscritores, contra a extinção de diversas freguesias de Norte a Sul do país.
 
 
 

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