O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel acusou hoje o PS de "grande falta de sentido de estado" ao não querer negociar com o Governo e defendeu que "ambos têm de ceder" para chegar a um consenso.
Em declarações à agência Lusa, em Resende, Paulo Rangel apelidou a posição do PS relativamente à reforma do estado social de "ambígua, ambivalente" e reveladora "de uma grande falta de sentido de estado, porque na altura de crise grave que vive o país, não pode furtar-se ao diálogo".
Segundo o eurodeputado, o PS "pode até depois não concordar com as propostas que estão em cima da mesa, mas pura e simplesmente recusar-se ao diálogo é inaceitável".
Rangel defendeu que a única hipótese que Portugal tem de "mudar alguma coisa no plano europeu é justamente juntando esforços dos partidos da coligação e do PS", dando "outra força" à posição do país.
"O Dr. (António José) Seguro, que está todos os dias a dizer que conta com a Europa, se quer dar força à questão europeia, então que negoceie com o Governo. Se negociar com o Governo e chegar a um acordo, teremos uma posição de força na Europa", considerou.
Caso o líder socialista continue "a fazer as suas visitas individuais só para ficar na foto, isso não vai trazer nada a Portugal", acrescentou.
Para Paulo Rangel, não é apenas o PS que tem de ceder nas negociações, mas também o Governo.
"Ambos têm de ceder para se chegar a um consenso. Com esse consenso nas mãos nós teremos uma posição negocial forte junto dos nossos parceiros europeus e junto dos nossos credores", frisou.
O eurodeputado considera que o PS deve sentar-se à mesa das negociações e, se tem outras propostas, deve apresentá-las.
"O que não pode é dizer que não vai sentar-se na mesa das negociações. Isso é uma atitude claramente contrária às obrigações de um partido de oposição com responsabilidades de Governo", acrescentou.
Paulo Rangel participou hoje à tarde, em S. João de Fontoura, no concelho de Resende, num magusto organizado peça secção local do PSD.

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