O primeiro-ministro afirmou hoje que ficou surpreendido com a argumentação sobre as alterações à Taxa Social Única (TSU), questionou a visão que existe em Portugal do papel das empresas e defendeu que é preciso refazer esse debate.
Pedro Passos Coelho retomou o tema das alterações à TSU durante um almoço conferência sobre desenvolvimento sustentado, no Centro de Congressos do Estoril, à saída do qual voltou a ser vaiado, desta vez por um grupo de crianças e jovens, quando entrava para o carro.
O primeiro-ministro não prestou declarações aos jornalistas nem à entrada nem à saída e a comunicação social teve a sua circulação limitada pelos elementos de segurança, não podendo seguir Passos Coelho quando este entrou no edifício.
Durante a sua intervenção, Passos Coelho referiu-se à TSU como “uma medida que foi muito polémica”, proposta pelo Governo para “aumentar a competitividade e o emprego, diminuindo os custos com o trabalho nas empresas”, e acrescentou: “Devo dizer que foi com alguma surpresa que vi algum nível de argumentação em torno da discussão desta matéria, que está ultrapassada”.
Segundo o primeiro-ministro, o facto de ter havido “um conjunto de empresários que confessaram publicamente temer represálias que os seus trabalhadores pudessem efectuar” por entenderem que se estava “a promover uma transferência de riqueza dos trabalhadores para as empresas” deixa “importantes reflexões para futuro”.
“A primeira é saber se nós fomos tão bem sucedidos quanto isso na maneira como fomos garantindo, numa sociedade democrática, e numa economia social de mercado, que as empresas não se confundem com os empresários e os empresários não se confundem com os patrões e que estamos, no conjunto, a falar de instituições importantes, quer do ponto de vista social, quer económico. A percepção que tínhamos sobre as empresas parece ter sido muito afectada por esta discussão”, considerou.
Passos Coelho admitiu que “que tenha havido aqui alguma distorção trazida por factores de outra natureza, nomeadamente de natureza ideológica”, que “tomaram conta de uma parte desse debate”, e defendeu que, “quando ele arrefecer dessas influências” será preciso “conseguir recentrar a visão institucional que temos do papel das empresas” em Portugal.
“Se a visão que temos das empresas não é a de instituições relevantes, mas estão reconduzidas, por qualquer razão, à dialéctica do trabalho e do capital, então teremos progredido muito pouco ao longo destas dezenas de anos de aprendizagem democrática, e isso prometeria muito pouco para o nosso futuro. Espero que possamos refazer este debate com outra riqueza e com outra visão de futuro”, rematou.

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