Passos Coelho quase perdeu hoje a votação das alterações aos estatutos do PSD. Uma questão de interpretação jurídica foi hoje usada pela presidência da Mesa do Congresso, por indicação do Conselho de Jurisdição, para tentar evitar que os congressos do PSD sejam realizados 20 dias antes da eleição directa do líder e que toda a direcção seja eleita directamente.
E conseguiu mesmo repetir a votação. Invertendo o resultado da votação. A proposta acabou votada uma segunda vez e foi chumbada por 262 votos contra, 250 a favor e 33 abstenções.
O congresso começou por aprovar na especialidade esta norma proposta pela JSD. Manifestamente nervoso e preocupado Passos Coelho subiu ao palco alertando os delegados para que estava a ser criado um vazio legal e que o congresso deixava naquele momento de poder eleger os órgãos nacionais.
Calvão da Silva, presidente do Conselho de Jurisdição, propôs a repetição da votação. O líder da JSD, Duarte Marques, dirigiu-se por sua vez ao microfone para manter a proposta. E a votação foi repetida.
A discussão dos estatutos começou às onze horas da manhã com a histórica militante e autarca do PSD, Virgínia Estorninho, a abrir o debate sobre as alterações aos estatutos do PSD, no Congresso que decorre no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com críticas directas ao Governo e ao facto de haver nomeações de militantes socialistas para lugares públicos e para gabinetes governamentais.
Virgínia Estorninho atacou directamente o secretário de Estado responsável pela emigração por ter uma chefe de gabinete que “foi candidata pelo PS”. E criticou a proposta de alterações de estatutos do Conselho Nacional por esta propor eleições primárias para os candidatos a eleições nacionais e a criação da nova figura do simpatizante.
A criação da figura de simpatizante foi, aliás, chumbada na especialidade.
Já as primárias, que seriam reguladas pelo Conselho Nacional, foram também chumbadas com 259 votos contra, 194 a favor e 46 abstenções.

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