O líder da JSD apelou esta segunda-feira ao secretário-geral do PS para que “participe” na redefinição das funções do Estado, sublinhando que os socialistas não podem “lavar as mãos como Pilatos na situação a que o país chegou”.
“O Partido Socialista é um partido demasiado importante para se colocar de fora num momento tão importante como este”, afirmou o líder da JSD, Duarte Marques, que falava a propósito das declarações de António José Seguro no final da reunião com o primeiro-ministro sobre o corte de quatro mil milhões de euros nas despesas do Estado anunciado pelo Governo.
Sublinhando que “quando o país precisou e quando o Governo anterior precisou, o PSD soube dar o sinal e negociar com o anterior Governo os orçamentos”, o presidente da JSD pediu a Seguro para se lembrar de que é o secretário-geral “de um dos maiores partidos portugueses, que construíram a democracia em Portugal”.
“É demasiado importante para esta democracia, faz parte dos seus sucessos e das suas falhas, sobretudo nos últimos 30 anos, e deve também tomar parte nas decisões que levarão a redefinir as funções do Estado em Portugal. O PS não deve lavar as mãos como Pilatos da situação a que o país chegou. Ao líder do PS exige-se que faça propostas, exige-se que participe na definição daquilo que será o futuro do país”, acrescentou.
Para Duarte Marques, o secretário-geral do PS deveria seguir “a tónica do discurso de António Costa no 5 de Outubro”, quando o presidente da Câmara de Lisboa “disse mesmo que [os socialistas] deviam fazer propostas e apresentar alternativas”. “Até sugeria ao líder do PS que não cometa o mesmo erro do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, que preferiram ficar de fora da negociação do memorando [da ajuda externa], quando podiam ter sugerido que algumas coisas fossem lá colocadas”, disse ainda o líder da JSD.
“O outro caminho que António José Seguro anuncia como sendo o outro caminho do PS é apenas o caminho que nos trouxe até aqui. Não há alternativas e não as apresenta. Isto era um desafio que nós lançávamos chamando a razão e sobretudo exigindo-lhe a responsabilidade de participar na solução de uma situação em que o PS também tem muitas culpas”, afirmou.
À saída da reunião de hoje com o primeiro-ministro, Seguro recusou assumir responsabilidades na execução dos cortes de quatro mil milhões de euros na despesa do Estado, dizendo que esse objetivo para 2013 e 2014 vincula apenas o Governo e a ‘troika’.

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