O Movimento Sem Emprego tentou entregar, no Parlamento, postais de “boas férias” aos membros do Governo, o que foi recusado com o argumento de que estes devem ser entregues nos respectivos ministérios.
Ana Rajado, do movimento, em declarações ao PÚBLICO, explicou que o objectivo é deixar um aviso ao Governo, lembrando-o que, apesar de este ir de férias, o movimento vai “ficar e lutar”. “Se nós não fizermos nada, quando eles chegarem seremos mais 24 mil desempregados”, alerta.
O corte do subsídio de férias é uma das bandeiras deste protesto. Ana Rajado critica as políticas do Governo que estão a anular um “direito conquistado” pelos trabalhadores portugueses. “Nós queremos dizer ao Governo: 'Vocês vão de férias tratar da vossa vida, a nós cortaram-nos esse direito'”, explica. A activista deixou ainda a promessa de “fazer a vida negra” ao executivo.
De forma a solucionar a problemática do desemprego, Ana Rajado aponta três políticas. A activista pretende que “o dinheiro deixe de ser usado para recapitalizar a banca, que deixe de ir para as Parcerias Público-Privadas e que se diminua o financiamento a empresas privadas”. Quanto às palavras do primeiro-ministro, que prometeu atacar as PPP, a responsável do MSE mostrou-se descrente. “Neste momento não acredito nas palavras de Passos Coelho, nem em nenhum dos seus ministros”
Portugueses não aderem por “medo”
O facto de se ter visto pouca adesão às manifestações contra as políticas governamentais é explicado, por Ana Rajado, com o “medo dos portugueses perderem o pouco que têm”. Contudo, a representante do MSE acredita que “quando menos se esperar” as coisas irão mudar. A desempregada diz que os portugueses, “quando chegarem e se depararem com a realidade”, nomeadamente “com o estado em que está a educação, o Serviço Nacional de Saúde” e tiverem de comprar “comprar os livros para os filhos e não tiverem dinheiro”, vão adoptar outra atitude.
O MSE vai ainda realizar um plenário, onde serão discutidas questões como o “balanço das actividades, novas acções e algumas situações pontuais que as pessoas queiram discutir”. Segundo Ana Rajado, já estão a ser estabelecidos contactos com outros movimentos de desempregados internacionais, nomeadamente com os piqueteros argentinos, de forma a que o MSE possa aprender com o que se tem passado noutros países.

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