O presidente do Parlamento Europeu defendeu neste sábado de manhã que é preciso recuperar os valores fundadores da União Europeia da paz, da justiça e da solidariedade e lutar por oferecer oportunidades aos mais jovens e uma melhor distribuição da riqueza.
Eu sou contra uma Europa dividida entre o sul e o norte, Portugal tem o mesmo valor que todos os outros países desta União”, afirmou o socialista Martin Schulz.
O ex-presidente do Partido Socialista Europeu e membro do Partido Social-Democrata alemão discursava na abertura do segundo dia do XIX Congresso do PS, no Europarque, em Santa Maria da Feira (Aveiro).
O socialista alemão centrou a sua intervenção na defesa de uma melhor distribuição da riqueza e de uma agenda reformista na Europa para combater o desemprego, sobretudo entre os jovens.
“A União Europeia foi sempre um sonho de tornar eterna a democracia, no nosso país, como no vosso país, e a democracia tem de ser defendida, temos de lutar por mais justiça, por mais emprego para os nossos jovens. Como podemos esperar que os nossos jovens se identifiquem com a Europa quando esta não tem lugar para eles?”, interrogou.
O antigo presidente dos socialistas europeus considerou que a “política unilateral de redução da dívida pública está esgotada” e que é preciso “mudar de direcção na Europa”, com medidas como a taxação das transacções financeiras ou o encerramento dos paraísos fiscais.
“É inaceitável que 50% dos jovens na Europa não tenham emprego, isso destrói a sociedade, continuamos a ser o continente mais rico do mundo, mas a nossa riqueza não está a ser distribuída justamente, precisamos de mais solidariedade entre os diferentes grupos sociais, mas também entre os estados”, vincou.
O presidente do Parlamento Europeu rejeitou ainda uma visão que divida os países do norte e do sul da Europa e lembrou que a actual crise das dívidas soberanas começou na Irlanda, um país banhado pelo mar do Norte.
Schulz disse que os responsáveis europeus devem lutar por recuperar “a ideia de Europa”, em que “os Estados e as nações trabalham para lá das suas fronteiras, juntos em instituições comuns” para “enfrentar melhor os desafios do século XXI”.
“Os grandes países e os pequenos países, os ricos e os pobres, os populosos ou não, os países trabalham juntos para lá das suas fronteiras. E não falo das fronteiras físicas apenas, mas das fronteiras económicas, culturais, linguísticas e do nosso passado, somos mais fortes juntos, é essa a ideia da social-democracia, a de que a união faz a força, a ideia da solidariedade”, acrescentou.
O dirigente socialista sublinhou depois que o seu país, a Alemanha, partilha do valor da solidariedade entre Estados e que “há muito que os alemães o dizem”, citando o escritor alemão Thomas Mann.
“Thomas Mann formulou um apelo que eu considero genial aos alemães: “Nós queremos uma Alemanha europeia e não uma Europa alemã, é essa a mensagem que vos deixo. Creio que vocês também não querem uma Europa portuguesa, mas um Portugal europeu”, concluiu.

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