Marques Mendes diz que Seguro “presta bom serviço ao país” se aceitar “entendimento mínimo”

O ex-líder do PSD Marques Mendes afirmou hoje que o PS tem que ser um “factor de solução” e que o secretário-geral socialista, António José Seguro, “presta um bom serviço ao país” se aceitar “algum entendimento mínimo”.

Em Braga, à margem da apresentação do livro “Vinte anos de televisão privada”, de Florbela Lopes, Marques Mendes lembrou também que Portugal não está num “período normal” e que tem que “cumprir exigências” externas.

O ex-ministro de Cavaco Silva esclareceu ainda que não é “porta-voz” do Governo e que “há muitas formas de saber as coisas”, referindo-se ao facto de ter revelado, num comentário político, que técnicos do FMI estão a “ajudar” o Governo a preparar a reforma do Estado.

“Eu não sou porta-voz do Governo. Eu não estou no Governo, embora seja apoiante do Governo, quando tenho a criticar crítico e às vezes com dureza. Há muitas formas de saber as coisas”, salientou.

Questionado se tinha discutido ou sido autorizado por algum membro do Governo a falar sobre a ajuda do FMI na preparação das reformas no Estado, Marques Mendes garantiu que não: “Não, nem pensar. Eu não tenho que divulgar as fontes de informação. Mas aquilo era fácil saber por vários lados. Ponto”.

Confrontado com as declarações de António José Seguro esta tarde à saída da reunião com o presidente da República, o ex-líder do PSD afirmou que o PS “deve ser factor de solução” e que lhe faz “impressão” algumas “tiradas políticas de vários dirigentes” que, disse, “falam como se Portugal estivesse num período normal, de soberania financeira”.

O secretário-geral do PS reafirmou hoje “indisponibilidade para um corte de quatro mil milhões de euros na saúde pública, na escola pública e no sistema de segurança social” mas “disponibilidade como sempre houve” para debater “as formas como o Estado português deve ser mais eficiente e deve cumprir todas as suas funções, sejam as funções de soberania, sejam as funções sociais”.

Segundo Marques Mendes, “algumas medidas têm que ser tomadas por exigência dos credores” e, salientou, “cortar na despesa é uma exigência dos credores”.

O comentador político destacou ainda a importância de consenso em torno da questão da reforma do Estado.

“Se o António José Seguro aceitar algum diálogo, algum entendimento ainda que mínimo, eu acho que ele presta um bom serviço ao país e acho que será na altura própria recompensado pelos portugueses por essa razão”, disse.

Isto porque, referiu, “na fase difícil que o país vive os portugueses apreciam um dirigente politico, mesmo na oposição, que dá a mão, não ao Governo, mas que dá a mão ao país”.

Luís Marques Mendes deixou ainda a recomendação a “todos os dirigentes políticos” para que “não enganassem as pessoas e falassem a verdade”.

“Nós não podemos decidir livremente, pelo menos até 2014, aquilo que podemos fazer”, apontou.


 

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