A Marinha Portuguesa vai reforçar a sua presença na zona das ilhas Selvagens, na Madeira, na sequência dos recentes incidentes entre pescadores furtivos de nacionalidade espanhola e responsáveis daquela reserva natural portuguesa, disse uma fonte do Comando da Zona Marítima local.
Segundo a edição de hoje do "Diário de Notícias do Funchal", três embarcações com pescadores furtivos espanhóis, naturais das ilhas Canárias, ameaçaram com armas brancas e de pesca submarina um vigilante e um biólogo do Parque Natural da Madeira, nas ilhas Selvagens.
Os incidentes ocorreram na passada quarta-feira, quando um vigilante e um biólogo da reserva natural das ilhas Selvagens avistaram três barcos - com 12 homens no total - a pescar ilegalmente naquelas águas protegidas.
Quando os responsáveis se aproximavam dos barcos espanhóis, "os papéis inverteram-se", escreve o jornal madeirense, acrescentando que os pescadores passaram então a perseguir os portugueses.
"Os vigilantes, porque não podiam competir com as 'lanchas voadoras', tentaram fugir, escondendo-se numa enseada, mas, impotentes e em situação de inferioridade, foram cercados e ameaçados de morte com espingardas de pesca submarina", relata ainda o mesmo jornal.
Incidentes "muito preocupantes"
Em declarações hoje à Lusa, o comandante do Comando da Zona Marítima da Madeira, Raul Ramos Gouveia, confirmou os incidentes, que considerou "muito preocupantes", uma vez que os vigilantes foram ameaçados de morte.
O mesmo responsável afirmou que, por isso, a Marinha Portuguesa vai reforçar a sua presença naquela zona, que dista das ilhas Canárias cerca de 90 milhas e da Madeira 163 milhas.
O secretário-regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, disse, por seu lado, à Lusa, que serão instaurados procedimentos administrativos e judiciais contra os prevaricadores.
Será ainda pedida ajuda às autoridades das Canárias na identificação dos pescadores furtivos, dado que apenas foi possível identificar uma das três embarcações, e o Governo Regional vai pedir o reforço de meios ao Ministério da Defesa naquela zona "quer de prevenção, quer de reacção, que foi o que faltou".
Auxílio chegou 14 horas depois
No dia do incidente, após um pedido de auxílio dos vigilantes ameaçados, o navio patrulha "Schulz Xavier" zarpou de imediato da ilha de Porto Santo para as Selvagens, onde chegou 14 horas depois.
Um aviocar da Força Aérea Portuguesa foi também mobilizado, mas uma avaria num dos motores frustrou a sua missão de socorro.
As ilhas Selvagens estão situadas no Atlântico Norte, 163 milhas a sul da ilha da Madeira, tendo sido descobertas pelos portugueses no século XV e, desde 1971, são Reserva Natural Integral, propriedade do Estado português, e estão sob a administração territorial da Região Autónoma da Madeira.
As Selvagens são consideradas um santuário ao nível da flora e da fauna e como área protegida estão sob a tutela do serviço do Parque Natural da Madeira. No ano passado, foram candidatas a património natural mundial da UNESCO.

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