Luís Fazenda e Pacheco Pereira convidados a irem ver “como se faz” o Jornal de Angola

pacheco Pereira Nuno Ferreira Santos

Um editorial do "Jornal de Angola" convida o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, e o ex-eurodeputado do PSD Pacheco Pereira, a visitarem Luanda para verem “como se faz cada edição” daquele jornal, o único diário angolano e jornal oficial do regime. No mesmo texto tecem-se críticas à comunicação social portuguesa, em particular aos órgãos privados, “a começar pela Impresa”. “Em todos os grupos privados (…) a liberdade de imprensa apenas existe na medida dos interesses políticos ou comerciais”.

Luís Fazenda e Pacheco Pereira, duas figuras públicas, entre outras, que criticaram abertamente o regime angolano e que comentaram a notícia publicada pelo semanário Expresso (10.11.2012) sobre a abertura, pela Procuradoria-Geral da República, de um inquérito-crime por fraude fiscal e branqueamento de capitais contra três altas figuras do Estado angolano, foram ainda convidados pelo director do "Jornal de Angola", José Ribeiro, “a elaborarem o plano de edição”. “Vão perceber que este é um espaço de liberdade como já poucos existem no mundo”, remata o editorial. 

O texto intitulado “Imprensa e Liberdades em Portugal” refere de novo a notícia do Expresso afirmando que “os impérios mediáticos portugueses não precisam de fazer escutas ilegais”, já que “têm no Ministério Público e na Polícia Judiciária alguém a trabalhar para eles, numa aliança que torna sectores do jornalismo português armas contra os valores da democracia e as liberdades individuais”. O "Jornal de Angola" diz que os governantes daquele país foram vítimas da violação do segredo de justiça e que essa violação foi confirmada exactamente por quem tinha o dever de impedi-la, numa alusão ao comunicado do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) confirmou na última terça-feira, através de comunicado, a existência de uma investigação “contra altos dirigentes angolanos”, adiantando, contudo, que este inquérito não tem ainda arguidos.

Entre as várias críticas à actuação meios de comunicação social portugueses, o "Jornal de Angola" afirma que a imprensa portuguesa tem “dificuldade em informar com verdade” a situação naquele país porque “todos os que garantiam uma igualdade de tratamento foram, na última década, afastados das redacções, no quadro de uma brilhante operação silenciosa”.

Para aquele diário, canais de televisão como a SIC, RTP e TVI impera uma “lógica de ‘lóbis’” segundo a qual o noticiário sobre Angola é filtrado. “Essa “cultura” anti-angolana passou mesmo pela colocação de “pivots” em pontos estratégicos para que nada escape aos mentores do negócio.

O editorial de José Ribeiro culpa ainda os “jornalistas sem ética” e as “elites que os instrumentalizam” pela “grave crise económica e social que hoje se vive em Portugal”. “Todos juntos esconderam o que se estava a passar. Por isso não é de admirar que juízes de instrução façam dos jornalistas agentes provocadores ou que os órgãos de comunicação social se transformem em tribunais de última instância.”

As três altas figuras do Estado angolano, próximas do Presidente José Eduardo dos Santos, contra quem foi aberto, pela Procuradoria-Geral da República, um inquérito-crime por fraude fiscal e branqueamento de capitais são: Manuel Vicente, vice-presidente de Angola e ex-director-geral da empresa petrolífera nacional Sonangol; o general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República; e o general Leopoldino Nascimento “Dino”, consultor do ministro de Estado e ex-chefe de Comunicações da Presidência da República.

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