O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, exigiu, esta segunda-feira, em Viana do Castelo, o fim da “propaganda” por parte do Governo da maioria PSD/CDS-PP, adivinhando que o Conselho de Ministros extraordinário desta terça-feira será uma “encenação de um Governo isolado e agonizante”.
“Nos próximos dias, o país assistirá a novas encenações de um Governo isolado e agonizante, que se apresentará a propalar as grandes linhas que conduzirão o país ao crescimento e ao emprego, replicando fórmulas e medidas de outros programas anunciados que ou não viram a luz do dia ou fracassaram completamente porque errada é a política que os enforma”, afirmou no arranque das jornadas parlamentares do partido, as primeiras realizadas no Alto Minho.
Jerónimo de Sousa afirmou que “é preciso dizer que basta de propaganda”, considerando que, “seja qual for o sector produtivo em análise, lá encontramos a marca distintiva desta política – onde o Governo toca, estraga”.
“O Governo chantageia o país de forma sistemática com os seus falsos dilemas. Vem dizer que das três uma: ou se aumentam impostos ou se corta na despesa ou se aumenta a dívida. Falsos dilemas de um Governo que fez tudo ao mesmo tempo e de forma desastrosa”, adiantou.
Para o secretário-geral do PCP, o Governo PSD/CDS-PP, “onde põe a mão, não deixa pedra sobre pedra”.
O dirigente reiterou a necessidade de uma “efectiva renegociação da dívida e não este reescalonamento da dívida à troika que visou essencialmente a sobrevivência do Governo” e da aplicação da “política patriótica” defendida pelos comunistas, que “aposte séria e decisivamente na produção nacional, na reindustrialização do país, no combate ao défice agro-alimentar e que potencie o mar e as suas múltiplas actividades”.
O secretário-geral do PCP acusou ainda o Governo de “recorrer a uma espécie do conto do vigário” para fazer o anúncio da destruição dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). No arranque das jornadas parlamentares do partido, Jerónimo de Sousa adiantou que o Governo “não só escondeu o golpe liquidatário que tenta perpetrar, como, numa atitude de subserviência inaceitável perante os ditames da União Europeia, o justifica por uma imposição externa e, de costas voltadas para o interesse nacional, abandona responsabilidades que são suas”.
Referindo-se à decisão do cancelamento definitivo do processo de reprivatização dos ENVC, anunciado na quinta-feira passada pelo ministro da Defesa e justificado com a investigação aprofundada aberta por Bruxelas aos apoios concedidos pelos Estado à empresa entre 2006 e 2011, no valor de 181 milhões de euros, o líder comunista afirmou que o Governo “parece uma barata tonta, mas não é”, classificando a sua actuação como um “conto do vigário”.
“O Governo toma esta decisão no mesmo momento em que se anuncia um Conselho de Ministros, a realizar terça-feira, para definir uma estratégia de crescimento e fomento industrial, no seguimento de solenes proclamações de necessidade de regresso ao mar”, disse, sobre a “natureza dissimuladora de uma governação que tem manifestado um profundo desprezo pelos sectores produtivos nacionais”.
As jornadas parlamentares do PCP prosseguem esta tarde com visitas ao porto de mar de Viana do Castelo, reuniões com a respectiva administração e funcionários dos ENVC, além de encontros com associações regionais de agricultores, comissões de trabalhadores e sindicatos de outras empresas e uma deslocação ao hospital da cidade.

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