Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, reuniu-se esta quinta-feira com o Presidente da República e manifestou-lhe “profunda preocupação” face à situação do país e ao Orçamento do Estado para 2013 aprovado no Parlamento. O documento está desde terça-feira nas mãos de Cavaco Silva.
“Quisemos transmitir ao Presidente da República a nossa profunda preocupação em relação ao agravamento da situação do país, no plano económico e social”, afirmou Jerónimo de Sousa, no final do encontro de cerca de uma hora com Cavaco Silva, no Palácio de Belém, em Lisboa.
Acompanhado de três membros do secretariado do Comité Central do PCP – Francisco Lopes, Manuela Pinto Ângelo e Jorge Cordeiro –, o secretário-geral comunista recusou adiantar, por “uma questão ética”, quais foram as respostas do Presidente da República às questões colocadas na audiência. “Não me quero precipitar em juízos de valor, em interpretações que poderiam ser abusivas”, explicou Jerónimo de Sousa.
O líder do PCP insistiu na “necessidade de uma política alternativa”, cujo primeiro passo seja o da regociação da dívida e que contemple a valorização do aparelho produtivo nacional, a devolução dos salários e das pensões.
Jerónimo de Sousa disse ainda que manifestou a Cavaco que o Orçamento do Estado para 2013 “não deveria ser aprovado” porque, “pela sua natureza e conteúdo, colide com os fundamentos da Constituição da república portuguesa”.
O documento, aprovado a 27 de Novembro no Parlamento, está nas mãos do Presidente da República desde terça-feira. Cavaco tem apenas oito dias, se decidir enviá-lo para o Tribunal Constitucional e assim requerer a fiscalização preventiva do Orçamento.
Jerónimo de Sousa defendeu ainda junto do actual chefe de Estado que o Governo de coligação PSD/CDS já não tem condições de continuar a governar o país, que é um Governo do passado” e “merece ser demitido”.
“E, naturalmente, caso isso aconteça, deve-se dar a palavra ao povo através de eleições antecipadas”, acrescentou.

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