Jerónimo de Sousa pede aproveitamento das riquezas do país

“Claro que a direita apanha sempre o PS pelo rabo, salvo seja", diz o secretário-geral comunista.

Jerónimo não pupou o Governo e o PS Nuno Ferreira Santos

O secretário-geral do PCP disse nesta sexta-feira, em Alpiarça, que, ao contrário do que se afirma, Portugal não é um país pobre, dando como exemplo a existência de riquezas em baixo do solo equivalentes “a dois produtos internos brutos”.

 

Num discurso num jantar de Natal que juntou algumas centenas de militantes em Alpiarça, Jerónimo de Sousa voltou a defender a necessidade de negociar o memorando de entendimento “a tempo” de conseguir libertar meios para produzir riqueza e de evitar que os credores levem o país a uma situação dramática, quando a dívida se tornar “impagável”.

O líder comunista frisou que Portugal não é um país pobre nem precisa de mais empréstimos, pois tem “potencialidades imensas” para libertar meios para criar emprego e gerar riqueza, dando como exemplo as riquezas existentes no subsolo – ouro, prata, cobre, pedras ornamentais - e que quando são exploradas o são por estrangeiros.

“Temos o maior filão de cobre da União Europeia. Está a ser explorado, mas por quem? Por estrangeiros que o arrancam em bruto e o levam para os seus países para o transformarem, quando, se tivéssemos sentido patriótico, eram os portugueses que o exploravam e depois transformavam”, afirmou.

Jerónimo de Sousa apontou a Zona Económica Exclusiva portuguesa, “a maior da União Europeia”, como outro exemplo de riqueza por explorar, não só nas pescas e nos recursos marinhos como também pela posição estratégica e pela possibilidade de desenvolvimento da marinha mercante “que destruíram em nome de paletes de fundos comunitários” que vinham para Portugal.

“Que crimes foram cometidos”, afirmou, sublinhando que Portugal “não precisa de mais empréstimos, precisa é de potenciar os seus recursos, capacidades e potencialidades para sair da crise e resolver até o problema da dívida”, afirmou.

O líder comunista criticou ainda o PS e o BE por terem pedido hoje na Assembleia da República a suspensão da privatização da ANA, quando deviam estar “contra a privatização dos sectores básicos e estratégicos”.

Acusando o PS de ter uma “contradição insanável”, que é a de “estar contra mas continuar a dizer que está a favor porque tem a assinatura” no memorando da 'troika, Jerónimo de Sousa desafiou os socialistas a resolverem essa contradição.

“Claro que a direita apanha sempre o PS pelo rabo, salvo seja, dizendo ‘mas vocês assinaram o tal documento da 'troika' e está lá a privatização e está lá roubar salários e aumentar a carga fiscal’”.

Considerando que a actual maioria PSD/CDS-PP está fragilizada e “não se sabe quanto tempo vai durar”, Jerónimo de Sousa defendeu a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas, apelando à participação na manifestação que no sábado vai rumar até ao Palácio de Belém, em Lisboa.

O secretário-geral do PCP advertiu ainda que o boicote às autárquicas de 2013 como protesto contra a extinção de freguesias “só serve quem quer liquidar as freguesias”, sublinhando que “quem rouba as freguesias ao povo não merece o voto do povo”.

 

 

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