Guebuza diz que Moçambique precisa de profissionais e oferece oportunidades

Armando Guebuza (à esq.) vai encontrar-se nesta segunda-feira com Cavaco Silva Foto: Philimon Bulawayo/Reuters/arquivo

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse neste domingo em Lisboa que o país precisa de profissionais para trabalharem nas explorações de carvão e gás natural e que oferece oportunidades de negócio em várias áreas.

O presidente Guebuza está em Lisboa para participar na primeira Cimeira Luso-Moçambicana, prevista para segunda e terça-feira, durante a qual será reforçada a relação entre os dois países.

Num evento neste domingo, junto da comunidade moçambicana, o chefe de Estado destacou a calorosa saudação com que foi recebido pelas cerca de 500 pessoas (de uma comunidade total de 3600 a viver em Portugal) presentes num hotel em Lisboa para o ouvirem.

“Parece que estou de novo em Moçambique”, referiu o Presidente, num evento animado por música e dança tradicional e em que foi entoado o hino do país. O discurso centrou-se depois na economia moçambicana e sobretudo nas “descobertas recentes de recursos naturais”, com destaque para o gás natural e o carvão. “Um dos grandes desafios que estas descobertas nos colocam tem a ver com a disponibilidade de técnicos moçambicanos para trabalhar nestes empreendimentos. As nossas instituições de ensino superior estão a fazer essa formação mas os números não correspondem à procura. Precisamos de muitos mais técnicos”, afirmou o chefe de Estado.

Já nesta semana, o presidente da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique defendeu, em declarações à Lusa, que Maputo deveria alterar a legislação laboral para facilitar a entrada de trabalhadores portugueses qualificados no mercado de trabalho moçambicano porque o país “tem uma enorme carência de quadros”.

Ainda no seu discurso, o presidente Guebuza apelou aos empresários Moçambicanos para olharem para este “nicho de oportunidade” porque há ainda “falta de fornecimento bens e serviços para essas empresas”.

O presidente moçambicano disse ainda que a comunidade a viver em Portugal deve fazer “diplomacia informal”, ao dar uma “boa imagem” do país e do povo e ao “divulgar as oportunidades de negócio que [Moçambique] oferece em diferentes domínios”

No âmbito da visita a Portugal, Guebuza reúne-se na segunda-feira, ao fim da tarde, no Palácio de Belém, com o seu homólogo português, Aníbal Cavaco Silva, que lhe oferece um jantar.

Para o mesmo dia estão previstas reuniões entre os ministros moçambicanos e os homólogos portugueses nos respectivos ministérios – Finanças, Negócios Estrangeiros e Economia.

Durante a permanência da delegação moçambicana em Lisboa, será oficializada a entrada da REN no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, adquirindo metade dos 15 por cento que Portugal ainda detém, segundo disse à Lusa uma fonte ligada ao processo.

A aquisição significa o fim da presença do Estado português numa das maiores barragens de África, construída em 1969.

Na terça-feira, o Presidente moçambicano tem pelas 10h30 um encontro, no Palácio das Necessidades, com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, ao qual se seguirá a reunião plenária, assinatura de acordos e uma conferência de imprensa conjunta.

Depois de um almoço oferecido por Passos Coelho, Armando Guebuza e comitiva deixam Lisboa pelas 18:30, com destino a Paris.

O chefe de Estado moçambicano será acompanhado na sua deslocação a Portugal pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Baloi, dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, da Energia, Salvador Namburete, e das Obras Públicas, Cadmiel Muthemba.

Fotografia substituída no dia 28/11/2011, às 11h12. Em vez da foto de Armando Guebuza, foi publicada uma de Afonso Dhlakama.

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