O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, afirmou hoje que os governos de Sócrates e de Passos Coelho foram até agora os mais centralistas e advertiu que a oposição surgirá nas autárquicas com um discurso anti-Governo.
Carlos Carreiras falava na abertura de uma conferência moderada pela líder da JSD/Lisboa, Joana Barata Lopes, num painel subordinado ao tema da "Qualidade de vida, o desafio da urbanidade, políticas e prioridades".
Tendo ao seu lado na mesa da conferência os candidatos sociais-democratas às câmaras de Sintra, Pedro Pinto, e de Oeiras, Moita Flores, o ex-líder da distrital de Lisboa do PSD advertiu que, nas eleições autárquicas deste ano, os partidos da oposição ao Governo vão procurar encostar o PSD "às baias", tentando obter em cada município uma penalização do executivo nacional.
"Não podemos ficar dentro dessas baias, não nos podemos deixar condicionar pelos nossos adversários e temos claramente de assumir a nossa opção política e partidária. Se as eleições autárquicas servissem para penalizar os governos nacionais, acredito que o PSD teria cem por cento, porque o PS seria altamente penalizado, já que é o grande responsável por o país estar nas actuais circunstâncias", advogou.
Carlos Carreiras fez depois um discurso a favor da descentralização de competências, sobretudo em relação a questões que abrangem toda a Área Metropolitana de Lisboa.
Neste ponto, o presidente da Câmara de Cascais começou por acusar o PS e o PCP de serem responsáveis "pela confusão" ao nível das políticas de mobilidade, criticando em seguida os governos nacionais pela ausência de descentralização ao nível de áreas sociais como o emprego e apoio aos idosos.
"Não estou a tentar descolar-me de Governo nenhum. Sou apoiante fervoroso e empenhado do nosso Governo. Mas, por força das circunstâncias, este e o anterior são os dois governos mais centralizadores que a democracia portuguesa conheceu", declarou o autarca de Cascais.
Segundo Carlos Carreiras, num momento em que o poder nacional está a ser deslocado para poderes transaccionais e em que as necessidades próximas das autarquias são cada vez maiores, "têm de ser encontradas novas soluções".
"Temos condições para executar melhor algumas funções do que o Estado central, com uma poupança de recursos significativa, em algumas áreas com reduções acima dos dez por cento de gastos efectivos. Quem é centralizador é a estrutura central do Governo. Todos gostam de ser peixes grandes em aquários pequenos", acrescentou o presidente da Câmara de Cascais.

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