O Governo ainda não teve qualquer pedido de ajuda de cidadãos portugueses que queiram deixar a Guiné, apesar de já estar a caminho daquele país um contingente com meios e tropas portugueses. Uma força que, segundo Pedro Passos Coelho, é "uma pura acção de prevenção".
Para o primeiro-ministro português, o que se está a passar na Guiné é um "golpe militar absolutamente ilegítimo", ocorrido "durante um processo eleitoral democrático", contra "instituições sufragadas democraticamente e no pleno uso dos seus poderes".
Questionado esta manhã pelos jornalistas no final de uma visita à base aérea nº6 do Montijo sobre a interpretação que faz do facto de o espaço aéreo e marítimo da Guiné ter sido interditado poucas horas depois de o Governo português ter anunciado o envio de um contingente, o primeiro-ministro evitou fazer comentários. Preferiu realçar que se trata de uma força de "pura acção de prevenção" destinada a "salvaguardar interesses de cidadãos portugueses".
"Por ordem do Governo, e por instrução minha directa, as Forças Armadas portuguesas aprontaram uma força que tem como missão a eventual necessidade de resgate de cidadãos portugueses da Guiné-Bissau e não qualquer outra [função]. Esses meios têm estado em movimento de modo a que possam estar operacionais caso essa eventualidade se venha a colocar", afirmou Pedro Passos Coelho, acrescentando esperar, no entanto, que "essa situação não ocorra".
O primeiro-ministro disse também que ainda "não houve qualquer pedido emergente de intervenção", e desejou que "a legalidade possa ser rapidamente reposta".
A nível internacional, Portugal tem estado "activo no plano diplomático", adiantou o chefe do Governo. A questão do golpe de Estado na Guiné foi suscitada por Portugal e pelo Brasil junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse Passos Coelho, e também no seio da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, onde se realizaram "intensas reuniões nos últimos dias que permitem apontar para uma consonância e articulação de posições".
"Toda a acção de condenação internacional deverá ter em conta a necessidade de salvaguardar fisicamente a integridade de todas as autoridades legítimas da Guiné, e apontar para a construção de um cenário de reposição da legalidade e estabilidade no território", defendeu ainda Pedro Passos Coelho.
A Força de Reacção Imediata é composta por uma fragata da classe Vasco da Gama, uma corveta (a António Enes), o reabastecedor Berrio, um avião P-3 Orion e um C-130. Os meios partiram ao início da tarde de domingo em direcção a Cabo Verde: o P-3 Orion está estacionado desde então na ilha do Sal, ao passo que o C-130 regressou a Portugal depois de descarregar o material de apoio diverso que transportava naquele aeroporto.

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