Esforço de diálogo de Seguro recebido com frieza à esquerda e à direita

Depois do CDS e do PCP, António José Seguro reunirá com o BE e, finalmente, com o PSD.

Focadas no emprego, mas sem agenda fechada. Sem conclusões garantidas, mas com premissas bem definidas. Foi assim que o PS arrancou para a ronda de encontros com os partidos, a pedido do seu secretário-geral, António José Seguro.

Nesta terça-feira o líder socialista reuniu-se com o PCP de manhã e o CDS à tarde. À sua frente teve os líderes daqueles partidos. Mas tanto à saída da reunião com os comunistas como no fim do encontro com os centristas notava-se uma discrepância entre aquilo que Seguro defendia e a postura daqueles com que se reunira.

Sendo certo que, logo pela manhã, o socialista baixava as expectativas sobre as consequências da iniciativa ao classificar as reuniões como o “início para o processo que é o diálogo entre os partidos políticos”, sempre foi acrescentando que “sem diálogo é impossível haver convergência”.

O objectivo era subentendido. Trabalhar para tentar encontrar algo comum entre os partidos naquela que era a “prioridade” definida pelo PS: emprego.

Lembrou a situação de “emergência” do país para sustentar esse estender de mão aos restantes partidos.

“Vim aqui [sede do CDS] cumprir um dever, que é o de procurar pontos de convergência com todos os partidos por forma a que o país tenha uma estratégia que combata o desemprego, envolvendo também os parceiros sociais.”

Mas a reacção foi fria. Tanto à esquerda como à direita. Jerónimo de Sousa não poupou as palavras depois do encontro. “Manifestaram-se as mais significativas diferenças de opinião e mesmo divergências quanto às soluções e respostas indispensáveis para o país”, reconheceu já depois do líder socialista ter falado à porta da sua sede.

E depois Jerónimo explicou porque é que a convergência com o PS era uma miragem. “Da nossa parte, com toda a franqueza, não podemos subestimar as diferenças e divergência de fundo em relação às soluções para o país, tendo em conta o amarramento do PS ao chamado memorando de entendimento, ou ao confiar o nosso devir colectivo nas falsas soluções da União Europeia, que é dominada pelo capital financeiro e por um directório de potências”.

O CDS mostrou-se igualmente distante. Aliás, logo à saída da reunião, o porta-voz do CDS fez questão de começar por referir os pecados passados do PS, em vez de elogiar o esforço de diálogo de Seguro.

“Todos sabemos que o PS tem enormes responsabilidades no momento que o país vive, tem enormes responsabilidades pelo facto de estarmos sob resgate financeiro e termos perdido parte da nossa autonomia. Por isso, é natural que se fale sobre isso e sobre políticas de futuro”, disse o dirigente democrata-cristão, transmitindo assim uma imagem pouco consensual sobre o resultado da reunião.

Interrogado sobre aspectos de convergência entre socialistas e democratas-cristãos, João Almeida ainda reconheceu a existência de “pontos comuns que havia antes e que poderão existir depois, assim como as divergências que já existiam antes e que poderão existir depois”.

E depois rematou com uma crítica implícita à anterior resistência do PS em trabalhar com o Governo em anteriores esforços de consenso. “O PS também tem que estar disponível para o compromisso.”

A delegação socialista variou de encontro para encontro. O único socialista que compareceu a ambas foi o próprio António José Seguro. À sede do PCP, o líder do PS levou o líder parlamentar Carlos Zorrinho, e os deputados e dirigentes partidários Alberto Martins e Idália Serrão.

Ao CDS foi com a presidente do partido, Maria de Belém, o porta-voz, João Ribeiro, e o vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro.

Pelo meio, Seguro ainda teve de enfrentar outras questões laterais. Sobre coligações, por exemplo, com o CDS. “Eu não vim aqui à procura de nenhuma coligação. Os governos não saem dos gabinetes, mas sim das eleições”, respondeu.

E o líder socialista teve também de explicar porque é que pretendeu reunir com os partidos e não com o Presidente da República.
“Uma coisa são as reuniões com os parceiros sociais e com os partidos, outra coisa é com os órgãos de soberania, este diálogo não é com os órgãos de soberania. Vamos aprofundar este diálogo com personalidades e com organizações da vida pública nacional”, disse.

Nos próximos dias, António José Seguro reunirá com o BE e, finalmente, com o PSD.
 

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