Encontros do PS com partidos são "só o início para o processo de diálogo”

Seguro manifestou-se cauteloso em relação às consequências políticas das reuniões. Jerónimo de Sousa assinalou as divergências.

O secretário-geral do PS, António José Seguro, limitou esta terça-feira o alcance dos encontros agendados com outros partidos políticos, defininindo-os apenas como o “início para o processo que é o diálogo entre os partidos políticos”. À saída da primeira dessas reuniões – que foi com o PCP, na sua sede em Lisboa – Seguro reconheceu que “não haverá conclusões nem desta, nem das restantes reuniões” agendadas para esta semana.

Mas admitiu o esforço como um primeiro passo que poderia vir a trazer frutos no futuro. “Sem diálogo é impossível haver convergência”, defendeu à porta da sede do PCP. No fim do encontro confirmou que na reunião se havia tratado das “questões do emprego”  - que definiu como prioritárias - e da forma como Portugal deve participar no aprofundamento europeu. Foi nesse ponto que reconheceu existirem “divergências” com os comunistas.

Do lado do PCP, o discurso após a reunião manteve-se inalterado. O secretário-geral comunist, Jerónimo de Sousa, desvalorizou o esforço e apontou as diferenças em relação ao PS. “Não há aqui um precedente”, começou por afirmar para recordar outros encontros entre líderes dos dois partidos. E depois assinalou a barreira: “Da nossa parte não podemos subestimar as diferenças e as divergências”. A saber, o “amarramento ao memorando da troika “ por parte do PS e o “confiar o nosso devir colectivo à União Europeia”.

E também não terá causado grande impressão na sede do PCP ter-se sabido esta terça-feira que Seguro participaria na reunião anual do grupo Bilderberg. “Alguns dos senhores jornalistas conhecem a história dessa organização e os seus objectivos e por que é que alguns portugueses têm participado nesses encontros”, disse o comunista sobre a reunião do “grande capital”: “Faço um apelo à vossa inteligência para tirarem a vossa conclusão.”

O jornal i avançou nesta terça-feira que Paulo Portas e Seguro vão estar juntos nos encontros promovidos pelo Clube Bilderberg, do qual faz parte Francisco Pinto Balsemão.

"Trata-se de um convite para eu participar numa reunião e nela vou reafirmar as minhas posições, quer em matéria de globalização, quer em matéria europeia. Defendo o fim dos paraísos fiscais, a taxação sobre as transacções financeiras, a dimensão económica e política da União Europeia", disse.

"É verdade que pode ter várias leituras, mas a minha leitura é a seguinte: Fizeram-me um convite e eu vou participar nessa reunião, como participo em dezenas ou centenas de reuniões e onde vou dizer aquilo que penso sobre a situação grave da Europa e sobre a necessidade de a globalização respeitar direitos humanos e direitos sociais", insistiu.

 
 
 
 
 

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