O presidente da Comissão Europeia defendeu esta quinta-feira de manhã na Fundação Champalimaud que a “sensatez nas decisões e na maneira de as comunicar” são “condições essenciais” para o sucesso dos programas de ajustamento em curso em Portugal, na Grécia e na Irlanda.
Durão Barroso foi um dos oradores no Seminário Diplomático que hoje arrancou em Lisboa subordinado ao tema “Projectar Portugal”. Assumindo que “em Portugal se vive uma verdadeira situação de emergência social”, o ex-primeiro-ministro aconselhou uma “gestão de forma conscienciosa” entre as políticas de contenção orçamental, de apoio ao crescimento e de apoio social. E sustentou ainda como necessário a qualquer governo responsável por um processo de ajustamento a capacidade de “estabelecer compromissos” e a “permanente procura de consensos”, quer entre partidos políticos, quer com os parceiros sociais.
Citou o caso da Grécia como exemplo da “relevância da estabilidade política”. Garantiu ainda que a União Europeia estava “naturalmente disposta a analisar as trajectórias de cumprimento dos programas e a fazer os ajustamentos e calibragens que se revelem necessários de forma a minimizar os custos sociais”. E antes já havia aconselhado os portugueses a olharem mais para a Irlanda e menos para a Grécia.
Momentos antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, referira-se de forma indirecta à comparação com esses países, sustentando que não se pode “confundir a situação portuguesa com outras que são diferentes”.
A referência a outros países só deveria acontecer, acrescentou Portas, quando fosse do “interesse nacional”: “O que é do interesse de Portugal é saber verificar e, se necessário, no momento certo, invocar a regra segundo a qual situações institucionais semelhantes merecem às vezes alterações que são potenciadoras da forma como se vive o processo de ajustamento, se acelera o regresso aos mercados ou se melhora a expectativa de crescimento económico”, disse Portas.

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