O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu hoje que a diplomacia portuguesa mostrou “perícia e talento” no Conselho de Segurança da ONU nos últimos dois anos, gerindo dossiers “muito delicados” ligados à Líbia e Coreia do Norte.
Numa visita às Nações Unidas destinada a marcar o final do mandato de dois anos de Portugal como membro não-permanente no Conselho de Segurança, Paulo Portas foi recebido esta manhã por Ban Ki-moon, “um bom secretário-geral” da organização e “bom amigo de Portugal, que conhece bastante bem o contributo da diplomacia portuguesa nestes dois anos”
“Portugal deu contributos inestimáveis para o funcionamento do Conselho. Presidiu ao comité sanções da Líbia, ao da Coreia do Norte, tratou de assuntos muito delicados com muita perícia e muito talento do ponto de vista diplomático”, disse à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.
“Chegámos ao Conselho com a reputação de construir pontes, juntar culturas, e quando sairmos mantemo-la intacta. O nosso programa é a carta da ONU, não foi uma agenda específica de país. Chegamos com boa reputação e sairemos com prestígio”, adiantou.
O mandato de dois anos de Portugal no Conselho de Segurança termina a 31 de Dezembro.
O lugar de membro não-permanente foi conquistado no final de 2010, depois de uma renhida corrida contra a Alemanha e o Canadá, país que acabou por ser afastado.
Numa altura em que Marrocos preside ao Conselho de Segurança, Paulo Portas irá intervir esta tarde num debate sobre Operações de Manutenção de Paz da ONU.
Segundo fontes diplomáticas, a missão de Portugal na ONU deverá contar em breve com novo embaixador, Álvaro Mendonça e Moura, até agora colocado em Madrid, e irá perder o actual “número dois”, João Maria Cabral, e mais de cinco outros diplomatas, alguns dos quais foram enviados como reforços para o mandato no Conselho de Segurança.
Para Paulo Portas, nos últimos dois anos a ONU mostrou o grande papel que pode ter, apoiando a transição na Líbia “de uma tirania pessoal para um regime constitucional que tem evidentemente os seus problemas”, mas também na Palestina, cujo estatuto foi elevado para Estado observador não-membro há poucas semanas com apoio expressivo na Assembleia Geral, incluindo de Portugal.
“Foi um progresso, a Palestina é hoje estado observador e isso é uma condição essencial para que não morra a esperança da paz”, disse o ministro à Lusa.
“O grande impasse, a primeira grande tragédia política do século XXI chama-se Síria. Enquanto uns vetam, outros morrem”, adiantou Portas, prometendo o empenho de Portugal para contribuir para este processo de paz.

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