A reunião do grupo parlamentar do PS assistiu esta quinta-feira à revolta dos socialistas contra as declarações da ministra da Justiça. Os parlamentares do principal partido da oposição criticaram duramente Paula Teixeira da Cruz depois desta ter afirmado que tinha terminado o "tempo da impunidade".
Esta quarta-feira, quando questionada sobre as buscas realizadas às casas de três ex-governantes do Governo de José Sócrates – Paulo Campos, António Mendonça e Mário Lino - a propósito da renegociação dos contratos de parecerias público-privadas -, Paula Teixeira da Cruz disse esperar que “todo o apuramento da responsabilidade vá até ao fim”. A ministra reforçou que “ninguém está acima da lei”, que “tudo deve ser investigado” e que “acabou o tempo” em que havia “impunidade”. Nesta investigação ninguém foi ainda constituído arguido.
Na reunião do grupo parlamentar do PS ouviu-se um coro de protesto contra a governante, com José Lello, Alberto Martins (ex-ministro da Justiça) e a vice-presidente da bancada Isabel Oneto a visar a social-democrata.
À saída do encontro, alguns deputados manifestaram o seu descontentamento. A constitucionalista Isabel Moreira considerou as palavras de Teixeira da Cruz como as “mais graves de todo o seu mandato” e acrescentou que "se tivesse uma posição de autoridade, pediria a demissão da ministra da Justiça". “Julgou sumariamente três cidadãos”, disse a deputada depois de concluir que esta “não tem interiorizados os princípios básicos de um Estado de direito”.
João Galamba considerou também “inaceitáveis” as declarações da ministra. “Se o primeiro-ministro quer mostrar que respeita os princípios do Estado de Direito, deve demitir a sua ministra da Justiça, defendeu.

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