O Presidente da República considera que está “ultrapassada” a “eventualidade” de uma crise política, uma situação que seria “dramática” para o país a par das “dificuldades de financiamento externo”.
Após presidir à cerimónia de inauguração das duas fábricas da construtora aeronáutica brasileira Embraer em Évora, à porta das quais foi recebido com uma manifestação realizada por perto de 300 pessoas, Cavaco Silva alertou para os perigos de uma instabilidade política. “Cada português pode imaginar o que é que sucederia a Portugal, país que depende enormemente, todos os dias, do financiamento das instituições internacionais para o desempenho das funções do Estado, para o funcionamento das empresas e dos bancos, se juntássemos a essa situação uma crise política”, afirmou.
Para o chefe de Estado a “eventualidade” de uma crise política “está ultrapassada”. “Seria dramático para Portugal, e cada um, de certeza, está consciente do que é que sucederia a Portugal, se juntássemos às dificuldades de financiamento externo uma crise política”, argumentou.
O resultado, segundo o chefe de Estado, aludindo indirectamente à situação da Grécia, seria apenas um: “Resvalaríamos, inevitavelmente, para a situação em que se encontra um outro país europeu”.
Pouco antes das declarações aos jornalistas, na sua intervenção na cerimónia de inauguração das duas unidades, o Presidente da República alertou para “a relevância crucial do investimento estrangeiro de qualidade para a resolução efectiva dos desequilíbrios que têm afectado” Portugal. “Não se trata de uma mensagem utópica, mas sim de uma profunda convicção de que Portugal tem capacidades para ser bem-sucedido”, disse.
Cavaco Silva realçou que “cabe também ao Presidente da República contribuir para a criação de um clima favorável e construtivo e para a melhoria da imagem do país no exterior”. Estes são, afirmou, “requisitos indispensáveis para vencer os desafios do presente”.
“Nos últimos anos”, segundo o chefe de Estado, Portugal “tem apresentado resultados favoráveis no domínio do investimento estrangeiro e, mais recentemente, o mesmo se tem verificado a nível das exportações e dos saldos externos”. “Apesar de tudo, estes resultados são ainda insuficientes e de algum modo precários”, sublinhou.

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