O primeiro-ministro, Passos Coelho, disse hoje não ver incompatibilidade no facto de o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Faria de Oliveira, acumular o cargo no banco público com o de presidente da Associação Portuguesa de Bancos.
A resposta foi dada a Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, que questionou o chefe do executivo sobre a decisão de Faria de Oliveira acumular a presidência de um banco público com a de uma associação “que representa os interesses privados”.
“De manhã [Faria de Oliveira] representa o interesse público, da parte da tarde negoceia com a troika”, disse o líder do BE, durante o debate quinzenal, no Parlamento.
Francisco Louçã questionou o primeiro-ministro por que razão Faria de Oliveira terá escolhido o salário da Associação Portuguesa de Bancos e como Passos Coelho disse não saber responder, o líder do BE explicou: “Porque a lei impede que o gestor tenha um salário mais alto do que o seu e no sector privado já não é assim”.
Passos Coelho disse ter sido informado da situação e reafirmou por duas vezes não vislumbrar conflito de interesses, mas se houver “será ele próprio a tomar a iniciativa para separar as águas”.
Momentos antes, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, inquiriu o primeiro-ministro sobre as “medidas concretas” que tinha prometido apresentar até hoje à UGT, no âmbito do acordo tripartido de concertação social. “Pensava que hoje seria aqui o dia D”, disse o secretário-geral do PCP, lembrando a Passos Coelho a “ameaça” de João Proença em romper o acordo.
Na resposta à bancada comunista, Passos não concretizou se as medidas serão apresentadas hoje à central sindical, mas frisou que o Governo acredita que será capaz de fazer “uma boa execução do acordo”. Um acordo que é, disse, importante para a imagem externa do país e para a continuação do diálogo com os parceiros sociais.
No final da sua intervenção, Jerónimo aproveitou ainda para lamentar os lucros da Galp no primeiro trimestre do ano. “A Galp teve 16,5% de lucro no primeiro trimestre, 50 milhões de euros”, afirmou. “Venha de lá o senhor primeiro-ministro com a equidade dos sacrifícios, que nós depois logo lhe dizemos”, rematou o líder comunista.

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