Ao minuto: manifestações 2 de Março

Com Ana Henriques, Andrea Cruz, Carlos Dias, Filipa Dias Mendes, Graça Barbosa Ribeiro, Idálio Revez, Isabel Van Zeller, João Pedro Pincha, Luciano Alvarez, Maria João Guimarães, Maria José Santana, Mariana Oliveira, Pedro Nunes Rodrigues, Sandra Rodrigues, Tolentino de Nóbrega

O PÚBLICO acompanhou a jornada de protesto, com a ajuda de repórteres e de leitores espalhados pelo país e pelo estrangeiro. Após as concentrações do dia, seguiu-se o chamado "Cerco ao Parlamento", onde algumas dezenas de pessoas levaram o protesto noite dentro.

Os participantes na manifestação anti-troika, reunidos neste sábado em assembleia geral, em frente da Quinta Vigia, residência oficial do presidente do governo regional da Madeira, decidiram lançar uma petição a exigir uma auditoria às contas públicas da região.

Em frente ao Parlamento, em Lisboa, há cerca de uma centena de pessoas, segundo os números da Lusa, que prolongam a jornada de protesto pela noite dentro.

Há algumas pessoas que decidiram prolongar o protesto até ao Parlamento. Manuela Agostinho está sentada em frente à Assembleia da Republica. Protestou durante a tarde e agora está aqui para tentar impedir, ou desincentivar, o que aconteceu na ultima manifestação. "Nesse dia estava em casa e fiquei com uma raiva", conta com a voz mais calma do mundo. "Como é que 30 pessoas conseguiram estragar a manifestação?" Então hoje aqui está ela. Também para protestar. "Eu votei neste governo e com muita convicção. Agora quero que vá morrer longe", diz, o tom de voz sem mostrar sequer um indício de exaltação. "Nunca fui de andar em manifestações", nota. E no entanto cá está ela. "Este Governo teve o dom de me pôr uma revolucionária", diz a sorrir. "Quando noto as pessoas de direita a ter um discurso de esquerda, como eu, e as de esquerda a ter um discurso de direita... Algo está mal, mesmo mal."

"Passos e Jardim rua" foi uma das palavras de ordem mais entoadas na manifestação que concentrou mais de um milhar de madeirenses nas ruas do Funchal. O protesto foi levado de viva voz até junto das sedes dos principais órgãos regionais, desde o Palácio de são Lourenço onde reside o representante da Republica, ao parlamento e presidência do governo regional.

Em frente da Quinta Vigia, os manifestantes insurgiram contra a forma como o presidente do executivo madeirense, Alberto João Jardim, se referiu a uns populares que na última semana, durante um acto oficial, contestaram a dupla austeridade imposta pelo executivo madeirense na região. “Cachorrro és tu”, devolveram o impropério. Num dos cartazes outra reacção: “os cachorros não acumulam a reforma com o ordenado.

Canta-se a Grândola em frente ao Parlamento. Não está muita gente no anunciado "Cerco", mas de vez em quando há ondas de assobios e fortes apupos.

A "moção de censura popular" lida no Terreiro do Paço pelos elementos do Que se Lixe a Troika está online. Um texto que "expressa a vontade de um povo que quer tomar o presente e o futuro nas suas mãos". "Em democracia, o povo é quem mais ordena." Na moção, lê-se que, com os protestos deste sábado, "o povo manifestou uma clara vontade de ruptura com as políticas impostas pela troika e levadas a cabo por este governo". "Basta! Obviamente, estão demitidos. Que o povo ordene!"

Organizadores revêem número de manifestantes em Lisboa para 800 mil. Começaram por falar em 500 mil e chegaram a referir um milhão.

Três horas depois de saírem do Marquês, as marés Feminista e Arco-íris chegam à Praça do Comércio.

O presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, juntou-se à manifestação contra o Governo e a <i>troika</i>, neste sábado, afirmando esperar que os governantes ouçam a voz dos portugueses. “Estas coisas têm de ter consequências. Isto não pode continuar levianamente, sem qualquer tipo de consequência, sem que o Governo ouça o que as pessoas estão a dizer”, afirmou.

Numa nota completamente lateral, o cantor e músico Vitorino disse, a propósito da música que tem marcado as manifestações de descontentamento pelo país, que o ministro Miguel Relvas deveria tentar aprender a cantar a Grândola antes de se pôr a cantá-la.

O fotojornalista Enric Vives-Rubio gravou o momento em que se cantou Grândola Vila Morena no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Nome: João de Vitorino. Profissão: reformado. Razão do cartaz: "Estou indignado por me roubarem a reforma e quererem continuar a roubar. E diziam mal do Salazar! É só desemprego! Cada vez há mais ricos, aos ricos não tiram nada. Os gajos do 25 Abril onde é que estão?"

Nome: Eduardo Avelar. Profissão: reformado (recebe 249 euros). Razão do cartaz: "Devia haver uma regra que dissesse que os jogadores de futebol não deviam ganhar mais de cinco mil euros por mês. Tirara, o curso do quê? Do pontapé da bola? Há uns que comem tudo, outros que comem nada."

Foram muitos e muito variados os cartazes que os manifestantes levaram para a rua neste sábado. Ouvimos quem os fez e o que os levou a fazê-lo. A primeira foi Maria Chaves, desempregada. Razão do cartaz: "Vou até ao fim do mundo para correr com ele [Passos Coelho]".

Há relatos de distúrbios no Porto, na Trindade. A PSP acorreu em força à estação de metro e voltou a cortar o trânsito nas imediações, depois de o ter reaberto parcialmente.

Enquanto a cauda da manifestação ainda percorre a rua do Ouro, já são centenas os que regressam da Praça do Comércio.

Frederico Duarte fotografou do palco no Terreiro do Paço, em Lisboa, o momento em que se cantava Grândola Vila Morena:

BE destaca "sinal claro" de que Governo e troika estão a mais. O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo destacou o significado de uma das "maiores manifestações da democracia", afirmando que é um sinal claro de que a "troika e o Governo estão a mais no país”. "É preciso mudar de política, é preciso condenar esta política e dizer ao Governo que tem de ser demitir. Esta já está a ser uma das maiores manifestações da democracia portuguesa e é um sinal claro de que a troika e o Governo estão a mais no país", afirmou.

Em Lisboa, depois de ter sido cantada Grândola, Vila Morena no Terreiro do Paço, muitos manifestantes começaram a abandonar o local.

A maré da revolta “anti-troika”, em Faro, registou uma das maiores manifestações de sempre. Milhares de pessoas desfilaram desde o largo do Carmo até ao jardim Manuel Bívar, o local onde nos tempos de “cavaquismo” se realizavam as festas do Pontal “O povo unido, jamais será vencido” voltou a servir de mote para a mobilização popular contra o Governo: “Está na hora de ir embora” foi uma das frases mais entoadas pela multidão, que, insistentemente, proclamou: “Passos escuta: o povo está em luta”.

Fernanda Torre enviou fotografias de uma pequena concentração de portugueses em Estocolmo

Manuela Rodrigues veio à manifestação com um esqueleto, para mostrar "o estado a que o país pode chegar". "Há pessoas a morrer. Há quem diga que há um austericídio - matar pela austeridade", diz. Quando tudo acabar "será que chegamos lá vivos?"

Ao final da tarde, os agentes da PSP que estavam a acompanhar a manifestação no Porto falavam, em comunicações internas e de forma não oficial, em 40 mil a 50 mil participantes presentes, naquela hora, na Praça da Liberdade. A praça é a zona baixa da Avenida dos Aliados. Os manifestantes têm estado, no entanto, muito dispersos no Porto.

Grândola, Vila Morena entoada no Porto num grande coro.

Bomba de mau cheiro rebentada no meio do Terreiro do Paço, criando além do mau cheiro uma nuvem de fumo.

Canta-se Grândola, Vila Morena no Terreiro do Paço, em Lisboa, com milhares de vozes à espera de muitas pessoas que ainda desfilam em direcção à praça.

No Porto, canta-se Grândola, Vila Morena às 18h30. A informação está a ser passado em panfletos: "Solta a Grândola que há em ti".

No Rossio, a manifestação está parada e há pessoas a criticarem a lentidão com que se anda. Até porque já se sabe aqui que a Praça do Comércio está lotada.

Marco Marques, do movimento Que se Lixe a Troika, disse ao PÚBLICO que não há número definitivos, mas que estes podem aproximar-se de um milhão.

Hora da Grândola em Viseu cantado por cerca de 600 pessoas. Os manifestantes começaram a dispersar duas horas depois do início da manifestação que chegou a juntar cerca de duas mil pessoas.

Canta-se Grândola, Vila Morena em Coimbra.

No Terreiro do Palco, a organização reclama “a maior manifestação de sempre” em Lisboa.

Números provisórios das manifestações, segundo a organização: 400 mil em Lisboa, outros tantos no Porto, 20 mil em Lisboa, 7 mil em Braga e outros tantos em Setúbal, três mil em Leiria, mais três mil na Marinha Grande.

"Vaffanculo Berlusconi" : os turistas estrangeiros associam-se à luta.

Em Aveiro, já se cantou Grândola, Vila Morena, que terminou com uma grande salva de palmas. O protesto começa agora a chegar ao fim ao som do hino nacional e já com vários manifestantes a dispersar.

São 18h. Hora de Grândola, Vila Morena.

"As pessoas estão a perder o medo de partilhar as nossas reivindicações, porque elas são transversais", diz a direcção do Clube Safo, que dirigiu a maré Arco-íris. "Espero que não caibamos na Praça do Comércio", dizem tanto a UMAR como o Clube Safo, ainda à saída dos Restauradores.

Os manifestantes chegam ao destino em Coimbra. Entram na Praça da Canção junto ao Mondego. Deixa de haver grupos e marés. As pessoas juntam-se à volta do palco montado na Praça da Canção e a uma só voz pedem a demissão do governo; “já!” Ensaia-se a Grândola.

Foto de Pedro Filipe Oliveira, no Marquês, em Lisboa: 

Mais fotos de leitores (Ricardo Neves). Coimbra: 

Mais fotos de leitores (Nuno Filipe Castro). Braga:

Tocam músicas de "Zeca" Afonso e os manifestantes acompanham com palmas e algum trautear. Os representantes do movimento Que se Lixe a Troika distribuíram cravos ao longo do percurso.

Manifestação em Budapeste, Hungria.

O movimento Que se Lixe a Troika entrou de braço dado no terreiro do paço, a gritar "Demissão!". As "marés" começam também a invadir o local onde já se encontravam centenas de manifestantes. À chegada, foram aplaudidos

Manuela Góis, da UMAR, pensa que "a manifestação de hoje fará o Governo e os restantes partidos perceberem que esta Assembleia já não representa os portugueses". As marés Feminista e Arco-íris fecham a manifestação na Avenida da Liberdade. Atrás delas só estão, neste momento, os Anonymous. Muitos manifestantes já chegaram ao Terreiro do Paço.

Estão cerca de 800 manifestantes em Viana do Castelo, segundo a PSP. A organização diz que foram os que participaram no desfile que obrigou a cortar ao trânsito a Avenida Central.

Os manifestantes atravessam a ponte de Santa Clara, em Coimbra, em direcção à Praça da Canção. João José Cardoso, uma das pessoas que convocaram a manifestação Fé Coimbra através do Facebook, lembra que em Setembro a própria PSP calculou que estariam na rua vinte mil pessoas. “Penso que hoje não somos menos”, disse.

Organização do movimento Que se Lixe a Troika avança o número de 500 mil manifestantes em Lisboa. À medida que os números das outras cidades são anunciados, os manifestantes aplaudem.

Há preocupação nas representantes da UMAR de não conseguirem chegar à Praça do Comércio a tempo da Grândola, às 18h, dado que ainda só chegaram até ao Cinema S. Jorge.

A manifestação da esquerda abrangente concentrou, às 16h, cerca de três centenas de pessoas no Largo do Museu Regional de Beja. Activistas do Bloco de Esquerda, do PCP e do PS disseminavam pelas mãos de voluntários pequenos cartazes previamente elaborados com um tema comum que visava o papel de “Passos, Poetas e Seguro” na aplicação das medidas da troika.

Gente que há muitos anos não se via em manifestações alimentava comentários irónicos de quem costuma protestar desde 25 de Abril de 1974: “Então agora já voltas a ser de esquerda?” Ouvia-se A cantiga é uma arma, mas ao contrário do que é habitual o fundo musical que entretinha os manifestantes, revelava outros cantos que não eram de intervenção.

“Quem te meteu no buraco. Não te tira dele” foi o cartaz que justificou reparos da corrente socialista nada agradada por incluir António José Seguro nos protagonistas pela troika. Foi uma tarde de compromissos entre as várias correntes da esquerda que já se preparam para o combate político que se adivinha acalorado com vista às próximas eleições autárquicas.

O Coro de Intervenção do Porto, formado pela soprano Ana Maria Pinto há cerca de dois meses, canta Maria da Fonte, Grândola, Vila Morena e Acordai à medida que a manifestação desce de Santa Catarina para os Aliados. Muitos se juntam ao coro e emocionam-se.

Cabeça da manifestação em Lisboa está na rua do Ouro e a chegar ao Terreiro do Paço.

Alzira Cavalheiro e Maria Fernanda Matos são amigas, ambas reformadas, mas de convicções políticas muito diferentes. "Foi a primeira vez que vim a uma coisa destas", diz Alzira. "Eu não" riposta Maria Fernanda. "Vim a muitas antes do 25 de Abril e agora venho por coisas que conseguimos e pensávamos que já não voltavam atras e voltaram".

"Estou aqui mas votei neles", diz Alzira. "Eu não", apressa-se a clarificar Maria Fernanda. Alzira continua: "Sinto-me enganada. Votei neles pelo que disseram, mas disseram uma coisa e fizeram outra."

Alzira e Maria Fernanda já descansaram um pouco e vão agora descer a Avenida da Liberdade. Chegam os maridos e entram na conversa. Não acreditam que estar aqui faça muita diferença. Mas "temos de mostrar que não aceitamos isto", dizem.

O grupo de pensionistas e reformados é dos mais activos em Coimbra. Em coro interpela os curiosos: "Saiam do passeio, juntem-se a nós".

Cartaz visto em Faro: 

O leitor Tiago Seabra envia uma foto da "manif" à chegada à Avenida dos Aliados no Porto:

O grupo que abre a manifestação de Coimbra chegou à Praça 8 de Maio. Há um momento de paragem. Canta-se a Grândola.

Já a meio da Avenida da Liberdade, as marés Feminista e Arco-íris conseguem unir todos os manifestantes com gritos contra o FMI.

Os manifestantes começaram a chegar ao Terreiro do Paço, em Lisboa. À entrada,um grupo de pessoas levantava lenços brancos e gritava "Demissão! Demissão!". Isabel Santos, reformada a manifestar-se, acha "que devia haver ainda mais gente nas ruas" e que está hoje aqui pelos jovens.

O eurodeputado Rui Tavares chegou há pouco à manifestação e disse ao PÚBLICO que "vivemos uma tragédia europeia" e que fica contente por ver que o povo português não renuncie ao seu país.

"Sou puta, sou precária, também sou proletária", gritam as marés Feminista e Arco-íris.

Em Aveiro, estão mais pessoas na rua do que a 15 de Setembro. Ao longo da Avenida Dr. Lourenço já se ouvem bem alto as palavras "FMI fora daqui", alternadas com os cânticos "Piu, piu, piu, o governo já caiu" e "Está na hora de o governo ir embora". As primeiras informações apontam para um total de cinco centenas de participantes.

Manifestação começou a descer para a Avenida dos Aliados, no Porto. A faixa negra de vários metros com a mensagem “Obviamente, demitam-se” segue na frente, por cima das cabeças dos primeiros manifestantes. Gritam-se palavras de ordem: “O povo unido jamais será vencido!”, “25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!” e “Está na hora, está na hora de o Governo se ir embora!”

A polícia não faz, em Coimbra, uma estimativa de quantas pessoas estão na rua. Aparentemente são menos do que em Setembro. Só os grupos da frente gritam palavras de ordem ou cantam. “Vamos calados porque estamos frustrados. Já tenho salários em atraso, estou à espera do fim”, diz Vítor Nunes. Tem 40 anos, é director de fábrica de plásticos.

Na Assembleia da República, 20 pessoas do Movimento “Cerco ao Parlamento” estão em protesto. Segundo o porta-voz, Carlos Natal, o grupo vai aguardar que os manifestantes do Que se Lixe a Troika se desloquem ao Parlamento. “Temos informação de que no final muita gente virá para aqui”, sublinhou.

Em declarações à Lusa, a eurodeputada socialista Ana Gomes diz que participa na manifestação de Lisboa para lutar contra “as políticas que estão a matar o povo português” e porque quer ver “este Governo na rua, porque não tem capacidade de se afirmar”.

Os leitores continuam a colaborar na cobertura das manifestações que saíram à rua de Norte a Sul. Faro: 

Cerca de 500 manifestantes arrancaram do largo de Santa Cristina, em Viseu. A chegada ao local de concentração, na rua Formosa, foi feita ao som de Grândola, Vila Morena

A presença da polícia no Porto é discreta. Há cerca de três dezenas de agentes fardados, em grupos de dez na Praça da Batalha, onde já se diz à boca pequena que está muito mais gente nesta manifestação do que no grande protesto de 15 de Setembro.

Faixa negra no Porto: "Obviamente, demitam-se!" Enquanto toca Grândola, Vila Morena, dirigente da Associação José Afonso diz que hoje é lançada "moção de censura popular contra o Governo".

A cabeça da manifestação lisboeta está no Parque Mayer. Mas não pára de engrossar. Até onde é possível ver, neste ponto da Avenida, tudo para a frente está cheio de gente.

Na capital, um manifestante exaltou-se com a presença de um militante do PS e ameaçou-o.

Em Coimbra, Pedro Dias, de 11 anos, fez o cartaz com a mãe e quis acompanhá-la. Fernanda Pereira, funcionária pública de 51 anos está orgulhosa. Diz que o filho entende que está a lutar pelo seu futuro.

A maré Arco-Íris segue ao som de tambores e com o "melhor cartaz" deste 2 de Março, segundo Anabela Rocha, organizadora desta maré. Aqui, a manifestação faz-se com confettis, música e reivindicações por uma lei de identidade de género.

Em Aveiro, os manifestantes começaram já a concentrar-se no largo da Estação da CP. São já várias centenas de participantes a marcar presença. A organização garante que são mais do que na manifestação de 15 de Setembro. "Emprego, saúde e educação. Troika não" ou "Troika para a rua" são algumas das frases que se podem ler nos cartazes exibidos pelos manifestantes. A acção de protesto seguirá, em breve, para a principal avenida da cidade, terminando na Praça Marques de Pombal.

Luísa Francisco, de 49 anos, bibliotecária na universidade de Coimbra, ergue dois cartazes. O que fez para ela própria e o que a sua filha, de seis anos, não quer segurar. “Vim porque me estão a roubar o que não tenho”, diz.

Catarina Martins, dirigente local do BE, lança as palavras de ordem em Coimbra: “Está na hora, está na hora, de o governo ir embora”. Atrás, o grupo da APRe! começa a cantar a Grândola, contagiando outros grupos. Muitas pessoas cantam c olhos nas “cábulas”.

Os Mareantes do Rio Douro estão a tocar na manifestação no Porto. Foram convidados pela organização, mas nada recebem. Pedro Miguel Moreira, vice-presidente da colectividade, diz que muitos dos 11 que ali estão se encontram desempregados e que o grupo também tem sentido a crise – é cada vez menos requisitado para actuar.

A Praça da Batalha, no Porto, está completamente cheia. Bandeiras portuguesas e cartazes por todo o lado: “Basta!”.

Leitores enviaram fotografias de Lisboa

Em Braga, o centro dos acontecimentos é a Avenida Central, onde há cartazes, bandeiras negras e até uma bandeira monárquica (Foto do leitor Jorge Vilela).

A União Mulheres Alternativa e Resposta faz-se representar no Marquês de Pombal por cerca de 15 mulheres e está no 2 de Março porque "com a austeridade as mulheres são mais penalizadas", diz Manuela Góis, da UMAR. A União entre as marés arco-íris e feminista dá-se porque "as minorias todas, incluindo a LGBT são mais oprimidas" nesta situação de crise, afirma ainda.

No Porto, há imensa confusão na rua de Santa Catarina. Três a quatro quarteirões estão repletos de gente. Aqui, os jovens não são a maioria. Rui Barandas, de 65 anos, diz que "Portugal está moribundo" e que isso se deve ao 5 de Outubro de 1910. Diz-se "activista monárquico" e que é necessário um Rei, "símbolo de Portugal". "Estes políticos estão a afundar o país", afirma, revelando que demorou duas horas a fazer um percurso que faz habitualmente em dez minutos. Leva uma bandeira da monarquia às costas.

Em Coimbra, os manifestantes começam a ocupar a via pública, de forma organizada. A marcha arranca.

Metro de Lisboa está de novo em funcionamento.

Centenas de pensionistas e reformados estão reunidos na estátua em honra aos combatentes da Grande Guerra e cantam, em uníssono, Grândola, Vila Morena. "Só falta pagar por estarmos vivos", lê-se num dos cartazes.

Centenas de manifestantes na "Praça do Povo" em Viana do Castelo.

A maré feminista, com uma tela roxa, aproxima-se do Marquês gritando "Todas à manif". Grita ainda palavras de ordem pelo emprego e contra o FMI.

O grupo da Cultura e o da APRe! distribuem uma espécie de cábulas com a letra da Grândola, em Coimbra. O da APRe! também tem o Acordai.

Chegou a maré da cultura. Manuel Rocha, director do Conservatório de Música de Coimbra e cabeça de lista da CDU à Assembleia Municipal, nas autárquicas, comenta que esperava que “já houvesse mais gente na praça”. “Mas estou sinceramente convencido de que há quem não esteja por uma questão de desesperança, porque não acredita. E isso e trágico”, diz.

Em Coimbra, muitos dos aposentados chegam com chapéus de chuva abertos, com a frase inscrita “APRee! Não somos descartáveis”. “Debaixo deste chapéu cabem os pais, os filhos e os netos. Temos de fazer esticar as nossas pensões, cada vez menores, para os ajudar. Não fossemos nos e o desespero social era ainda maior”, diz Maria Ferreira, de 62 anos.

No Porto, estão já centenas de pessoas na Avenida da Liberdade, ponto de chegada da manifestação, que começa na Praça da Batalha. São pessoas mais velhas, que optaram por não fazer o percurso. (Foto do leitor Nuno Magalhães)

A estação de metro da Baixa-Chiado, em Lisboa, está a abarrotar. A linha azul está bloqueada, depois de nos painéis de informação se ter anunciado a avaria da linha amarela. Grita-se "Boicote! Boicote!".

Manifestação arranca no Marquês: "Que se Lixe a Troika! O Povo é quem mais ordena".

A "marés" da Saúde e da Educação juntam-se e a uma só voz gritam: "Governo,escuta. O povo está em luta."

Centenas de professores cantam Grândola e dirigem-se para a Maternidade Alfredo da Costa.

Centenas de pessoas concentram-se na Praça da República, em Viana do Castelo, a "Praça do Povo". Estão sobretudo jovens, mas encontram-se pessoas de todas as idades, professores, trabalhadores dos estaleiros, reformados, de Viana e deoutros concelhos vizinhos.

A manifestação prepara-se para arrancar do Marquês de Pombal. Cantam-se palavras de ordem. As laterais da Avenida da Liberdade estão cheias de gente até ao Rossio.

"Imoral é a austeridade, não o amor" e "Tomar no cu é divinal, anti-Natura é o capital" são as frases dos cartazes que já chegaram à Rua Castilho com a Maré Arco-Íris (LGBT).

Maré da Educação está a caminho do Marquês de Pombal. Alguns slogans nos cartazes: "Erro Crato", "Propinem a banca", "Vai estudar, Relvas", "Se não nos deixarem sonhar, não vos deixaremos dormir" ou "Rua já".

Chega a primeira "maré" à Praça da República, em Coimbra. Talvez duas centenas de membros da APRe! - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados. São recebidos com aplausos. A praça está a encher-se de gente.

Na preparação do protesto ligado ao sector da Educação, ouviu-se cantar Grândola, Vila Morena, gravada ao vivo pelo fotojornalista Enric Vives-Rubio.

Uma carrinha decorada com as bandeiras de Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal vai encabeçar a manifestação de Lisboa. No Marquês, onde já estão milhares de pessoas, canta-se pela primeira vez a Grândola.

A Maré da Saúde já está reunida em frente à Maternidade Alfredo da Costa. Inês Pintassilgo, médica, de megafone na mão, diz ao PÚBLICO que saem à rua para defender um Serviço Nacional de Saúde para todos.

O líder do PS, António José Seguro, disse neste sábado que os portugueses que participarem nas manifestações desta tarde “têm muitas razões para estar indignados”, porque o país “tem vindo a empobrecer” e a economia “a cair”.

Os militares começam a concentrar-se em frente ao edifício do Diário de Notícias.

Maria do Carmo Gomes, de 57 anos, funcionária pública, emociona-se quando explica por que veio para à manifestação: "Venho pelos meus filhos, um arquitecto, desempregado, outro engenheiro, que vai fazendo umas coisita, a recibo verde. Venho pela falta de esperança no futuro. Porque não acredito que a austeridade resulte na recuperação da economia." Em Coimbra, na Praça da República ouve-se a Grândola.

Os manifestantes em frente ao Ministério da Educação começam a preparar a marcha até ao Marquês de Pombal passando pela maternidade Alfredo da Costa, onde há protestos contra os cortes na Saúde. A polícia já está a cortar o trânsito numa das faixas da 5 de Outubro. Antes um coro cantou Grândola, Vila Morena, entre quem sabia a letra toda e quem usou uma pequena cábula distribuída antes para assegurar que nao havia enganos. E é ao som da grandola, desta vez na voz de zeca Afonso, que marcha espera a luz verde para avançar.

Dirigentes da Pró-Ordem dos Professores estão concentrados na tarde deste sábado em frente ao Ministério da Educação e Ciência em “sinal de protesto” contra a oposição da troika à constituição da ordem dos professores e para exigirem serem recebidos pelos ministro Nuno Crato. Depois da acção, a associação vai juntar-se à Maré da Educação.

Cláudia Mateus, 22 anos, estudante de Filosofia na Universidade de Lisboa.

"Sempre que posso venho a manifestações é a maneira mais directa e segura de mostrar o nosso descontentamento. Acho que vai ter efeito. Não podem ignorar um país inteiro profundamente triste e magoado. O que eu gostava? Pelo menos um reconhecimento da situação, que parem de dizer que o pior já passou, etc. Que admitam. Pode ser idealismo, mas gostava. Quanto ao meu futuro, gostava muito de continuar a investir neste país. A resistir. Mas isto não está para idealismos e a única opção é capaz de ser ir embora."

Alice, de vinte meses, é, à primeira vista, a mais nova das manifestantes em Coimbra. Veio com o pai, Luís Marques, que tem 35 anos, é psicólogo e sempre trabalhou a recibos verdes. Diz que as pessoas não aguentam mais e que, quando assim é, só há uma coisa a fazer: "vir para a rua".

Em Coimbra, na Praça da República, três pessoas caminham em círculos, vestidas de preto e com um saco do lixo da mesma cor enfiados na cabeça. No chão está uma tarja da "Universidade contra a austeridade". Mais umas três dezenas de pessoas, muitas de mãos nos bolsos ou com os braços cruzados.

Com o trânsito cortado no Marquês, a melhor opção para chegar à Maternidade Alfredo da Costa é o metro (Picoas).

Em frente ao Ministério da Educação estão estudantes e professores, com Zeca Afonso e Sérgio Godinho entre os discursos criticando os cortes na educação. Preparam faixas "estudantes chumbam a troika" e pequenos cartazes "há fome na cantina" ou "3ª propina mais alta da Europa". O microfone está aberto a quem quiser falar. "Nenhum país sai da crise desinvestindo na protecção social", ouve-se. "Há cada vez menos professores e cada vez mais alunos."

A bandeira arco-íris foi defraldada e colocada num sinal de trânsito neste momento, numa altura em que estão cinco pessoas ma concentração da Maré Arco-Íris, no Hotel Tiara Park Atlantic, em Lisboa.

A rotunda interior do Marquês já está encerrada. A exterior continua aberta ao trânsito. Estão já algumas centenas de manifestantes no local, a pintar cartazes.

Manifestação parte, em Lisboa, do Marquês de Pombal e desce até ao Terreiro do Paço, escolhido como destino por ser "sede de muitos ministérios". As diferentes "marés" concentram-se algumas horas antes noutros pontos da capital. À frente do Parlamento, começa às 15h uma manifestação paralela.

No Marquês, a organização começa a distribuir panfletos aos manifestantes.

Apesar de a câmara de Lisboa ter prometido remover todas as pedras da calçada na zona do Marquês de Pombal, a verdade é que se limitou a interditar a zona com um gradeamendo amovível. Facilmente se salta para o outro lado.

Os manifestantes começam a reunir-se na rotunda do Marquês, em Lisboa, para pintar cartazes.

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