Ana Martinho é a primeira mulher secretária-geral dos diplomatas

Primeiro movimento diplomático da era Portas ocorreu há dez meses, a 2 de Janeiro Foto: Rui Gaudêncio

É a segunda grande movimentação diplomática de Paulo Portas desde que chegou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, há um ano e meio. O PÚBLICO sabe que já foram enviados ontem aos respectivos países os pedidos de agrément para 23 postos de embaixador e chefe de missão.

Dois objectivos definidos pelo próprio ministro e que seguem a política anunciada - e aplicada pela primeira vez - em Janeiro: redução da idade dos diplomatas em topo de carreira e aumento do número de mulheres nos postos de chefia.

Aquela que vai ser agora desencadeada e que envolve 23 missões diplomáticas obedece, disseram ao PÚBLICO fontes do gabinete do ministro, a este duplo critério. A idade média dos embaixadores e chefes de emissão nomeados desce de 61 para 55 anos. E o número de mulheres embaixadoras ou chefes de missão sobe de três para seis. Uma delas, Ana Martinho, vai agora ocupar o posto máximo do ministério - secretário-geral. Ana Martinho, uma das primeiras embaixadoras da diplomacia portuguesa, vem de Viena para Lisboa para ocupar o novo cargo e foi conselheira de Durão Barroso na Comissão Europeia, em Bruxelas. Na prática, como chefe máximo da carreira diplomática, vai gerir a casa (nomear, promover, etc.).

O novo movimento foi acordado com o Presidente da República e com o primeiro-ministro, e foi uma das razões que levaram, na sexta-feira, Paulo Portas a Belém.

O terceiro objectivo é o fim dos embaixadores políticos (que não são diplomatas de carreira). Em Janeiro, tinham sido reduzidos alguns destes postos, como a UNESCO e a OCSE, cuja representação passou a ser feita pelos embaixadores em Paris e Viena. A OCDE era neste momento o último posto político ainda existente - e estava vago.

O primeiro movimento diplomático da era Portas ocorreu a 2 de Janeiro, quando a nova filosofia foi anunciada. Nessa altura, foram preenchidos postos tão importantes como a chefia da Reper (Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia), Washington, Berlim, Paris, Brasília e Luanda.

Desta vez, Seixas da Costa, antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus dos Governos de António Guterres, abandona Paris por limite de idade e é substituído por Morais Cabral, que sai de Nova Iorque, onde será substituído por Mendonça e Moura, outro embaixador de grande prestígio muito próximo do actual presidente da Comissão, Durão Barroso. Mendonça e Moura deixa Madrid, para onde será destacado Tadeu Soares, que vem de Pequim. António Almeida Ribeiro, já nomeado pelo actual ministro secretário-geral do MNE, segue para o Vaticano.

Para Pequim vai Jorge Torres Pereira, vindo de Banguecoque, para onde irá Barreira de Sousa, que estava em Timor-Leste. Para Díli vai Manuel de Jesus, que foi vice-presidente do IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento), entretanto fundido com o Instituto Camões. Para o Maputo, José Augusto Duarte, que chefiou o gabinete de Freitas do Amaral, na sua fase à frente do MNE, e que ocupa o cargo de director-geral da Administração.

Outra novidade política relevante: Paulo Vizeu Pinheiro, actual conselheiro diplomático do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e que se mudou para Lisboa no início do Governo, vindo directamente do gabinete de Durão Barroso, sai para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) em Paris. O lugar, tradicionalmente ocupado por um embaixador político, estava à espera de nomeação desde a saída de Eduardo Ferro Rodrigues. Augusto Peixoto vai para Belgrado. João Corte Real para Kinshasa. Moutinho de Almeida para a dupla função de embaixador em Viena e na OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa). António Gamito, subdirector-geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, vai para Argel. Daí sai Moreira da Cunha, que vai para Otava. Quanto às mulheres nomeadas, Isabel Pedrosa, desde Maio encarregada de negócios na embaixada em Trípoli, passa a embaixadora. Helena Almeida vai chefiar a missão diplomática de Lima, Gabriela Albergaria vai para Harare e Clara Nunes dos Santos para Oslo. Manuel Franco vai chefiar o Consulado-Geral de Nova Iorque. 
 
 
 
 
 

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