O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse nesta sexta-feira que a saída da crise não está na “tentação iníqua de querer fundar a competitividade na mão-de-obra barata e desqualificada e na perda constante de rendimento e direitos”.
O autarca socialista falava na cerimónia de comemoração da Implantação da República, que decorre no Pátio da Galé, junto à Praça do Município, em Lisboa.
Para António Costa, “essa é uma lógica do passado à qual não podemos voltar, além de tudo mais por se ter tratado de um erro colossal com custos gravosos para o desenvolvimento de Portugal, cujo efeitos ainda hoje sofremos”.
O presidente da maior autarquia do país insistiu na ideia de que o futuro “não está no regresso da economia dos baixos salários, da contrafacção, da evasão fiscal, da desvalorização do escudo e da exploração do trabalho infantil”.
Sublinhando que o país tem oito séculos de história, António Costa considerou insuficiente que Portugal tenha apenas para oferecer a uma Europa em crise o estatuto “bom aluno”. “Esse estatuto menoriza-nos e infantiliza-nos”, defendeu.
Antes de a comitiva chegar ao Pátio da Galé, Cavaco Silva e António Costa içaram a bandeira nacional na sede da Câmara de Lisboa e, apesar de ter ficado segura, ficou também ao contrário. A bandeira de Portugal ficou içada de “pernas para o ar”.
Esta é última vez que Portugal celebra o 5 de Outubro como um feriado nacional. Ao contrário do que é habitual, a cerimónia oficial com os discursos não se realiza no largo em frente à sede da Câmara de Lisboa, tenso sido transferida para um lugar fechado, o Pátio da Galé.
A distância entre os dois locais não é muita, mas faz toda a diferença para Mário Soares. O antigo Presidente da República recusou-se a estar presente, considerando que esta mudança de local se deve ao medo dos actuais responsáveis em se exporem a eventuais apupos.
Os jardins do Palácio de Belém também irão manter-se fechados neste dia, contrariando a prática habitual desde o primeiro mandato de Cavaco Silva. O argumento oficial é que a razão se prende com a contenção de custos.

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