Opinião

Os Prémio Pogie, para as ideias mais brilhantes de 2012

Boa noite, e bem-vindos a The Dalles, no Oregon! Aqui, no refeitório da Escola Preparatória James A. Garfield, encontramo-nos todos os anos para o maior acontecimento no campo da tecnologia: os Prémios Pogie!

Não concedemos estes troféus tão cobiçados aos melhores produtos do ano, isso é o que toda a gente faz. Não: os Pogies celebram as melhores ideias do ano, os conceitos engenhosos que de alguma forma conseguiram ultrapassar os gabinetes de advogados, esquivar-se pelo meio das comissões de avaliadores avarentos e tornar-se gadgets tecnológicos no mundo real – mesmo que os produtos finais sejam uma desgraça.

E agora, pelo oitavo ano consecutivo – os envelopes da FedEx, por favor!

Smart Stay

No telemóvel Galaxy S III da Samsung, a câmara colocada na parte frontal procura os nossos olhos. Quando não estamos a olhar para o ecrã, reduz a iluminação, para poupar a bateria. Volta a ficar mais iluminado quando voltamos a olhar para ele. Que esperto.

Power Nap

A maioria dos computadores portáteis por esse mundo fora faz exactamente apenas uma coisa quase se fecha a tampa: fica em suspensão, a “dormir”. Todas as outras actividades param.

Mas a Apple colocou uma questão: Porquê? Por que razão não poderá a actividade em rede continuar em força, mesmo quando a tampa está fechada? Por que razão não pode o portátil continuar a actualizar-se e a guardar em memória, a receber e a enviar correio electrónico e a sincronizar os seus dados “online” (calendários, agendas, lembretes, fotografias)?

É esta a ideia que está na base do Power Nap, uma funcionalidade do OS X Mountain Lion, que corre nos modelos MacBook mais recentes. Permite-nos acordar, pegar no portátil e sair, confiantes de que tudo está actualizado e guardado em memória, e que ele recebeu e enviou os nossos últimos “emails”.

Slipstream

No Kindle HD de ecrã de 22,6 centímetros da Amazon, acontece algo engenhoso quando chamamos por um dos principais sítios da Internet: ele surge no nosso ecrã rapidamente, todo de uma vez. É quase como se o browser do Kindle estivesse a carregar uma imagem em formato JPEG de uma página da Web, e não as dúzias de gráficos, pedaços de texto e outros elementos que constituem uma página da Internet.

E é exactamente isso que ele está a fazer. Sem se notar, os servidores da Amazon retiram frequentemente fotografias dos “sites” mais populares; quando visitamos um, o que vemos em primeiro lugar é essa imagem em formato JPEG (com os “links” directos e activos nos seus lugares certos, felizmente).

Enquanto estamos a explorar essa imagem, o “browser” continua a reunir os pedaços que compõem a página – e após alguns segundos, um piscar (e ocasionalmente um elemento que se altera) permite-nos perceber que já estamos a olhar para a página “a sério”. É um truque esquivo, lógico e brilhante que nos permite poupar tempo e não nos custa nada.

Cycloramic

Quando já começávamos a pensar que não seria possível alguém ter uma ideia inovadora para uma aplicação de telemóvel, o Cycloramic (preço: 1 dólar) grava vídeos em panorâmicas de 360 graus – sem um tripé ou um eixo de apoio.

Basta colocar o telemóvel a direito e carregar no botão “Go”. Por incrível que pareça, o telemóvel, balançando sobre a sua parte de baixo, começa a rodar sobre si próprio. É a coisa mais impressionante a que já assistimos. Perfeito para ganhar apostas com amigos ou fundar novas religiões. 

Se alguma vez viram um telemóvel a fugir em cima de uma mesa quando está no modo de vibrar, já percebem o princípio da coisa. A aplicação acciona o módulo de vibração do telemóvel exactamente nas frequências correctas para fazer o telemóvel rodar sobre a mesa. Os sensores do telemóvel determinam quanto ele roda. 

Só funciona em superfícies lisas e brilhantes como vidro, granito polido ou madeira laminada (como nas secretárias), e apenas o iPhone 5 tem exactamente o equilíbrio correcto. É de ficar com a boca aberta de espanto.

Trelas electrónicas

O Ciago iAlert e o Cobra Tag são porta-chaves electrónicos de Bluetooth que comunicam com o nosso iPhone ou telemóvel Android. Assim que ficamos a mais de nove metros do telemóvel, o porta-chaves começa a apitar, como se estivesse a dizer “Estás a esquecer-te do telemóvel que te custou 200 dólares, seu grande idiota!”. Também funciona ao contrário; o telemóvel apita se nos esquecermos das nossas chaves.

Na prática, estes porta-chaves são feitos com materiais baratos e, se formos a acreditar nas críticas colocadas na Amazon, nem sempre de muita confiança. Mas lembrem-se – na noite dos Pogies, o que conta é o conceito.

Bluetooth 4.0

Bluetooth é o nome daquela tecnologia sem fios que liga aparelhos e gadgets num raio de nove metros – o nosso telemóvel ao conjunto microfone/auricular, por exemplo – e que dá cabo da carga da nossa bateria. Certo?

Na realidade, já não é bem assim. Não é por acaso que o Bluetooth 4.0, incorporado nos mais recentes iPhone e telemóveis Android, é também denominado Bluetooth LE (“low energy”). Na maior parte dos casos, apenas utiliza energia quando está a enviar/receber dados. No resto do tempo, está em suspensão.

Alguns gadgets para o Bluetooth 4 já estão disponíveis, como, por exemplo, os últimos registadores de exercício físico FitBit, o módulo sensor universal Node, e algumas daquelas trelas electrónicas. Como bónus, as aplicações de telemóvel para estes produtos não exigem uma segunda viagem à nossa aplicação de “Definições” para as emparelharmos; podemos fazer isso mesmo na própria aplicação. 

Modo de Condução

A Motorola já tem uma prateleira cheia de Prémios Pogie, graças à sua dedicação a produtos criativos e pouco habituais para telemóveis.

Alguns dos seus modelos mais recentes – Atrix, Droid Razr e outros – oferecem algo chamado Smart Actions, e conseguiram montes de nomeações para os Pogies. Que tal a opção “Mostrar automaticamente teclado quando se chama números de ‘voice mail’ ou de emergência“? Certamente está na corrida para a vitória. Ou a que automaticamente coloca o nosso telemóvel em modo de vibração nas horas em que decorre qualquer reunião marcada na nossa agenda?

Mas em 2012 o prémio foi para o Modo de Condução. Se tivermos um conjunto micro/auricular da Motorola, o nosso telemóvel detecta automaticamente quando estamos a conduzir. A partir desse momento, o telemóvel coloca o volume de toque em alto, liga o GPS, anuncia os nomes de quem nos está a ligar, e responde automaticamente às mensagens de texto que estejamos a receber com “estou a conduzir – ligue-me mais tarde”. Genial.

Não incomodar

Eis outra brilhante funcionalidade para telemóvel que começou como uma Smart Action da Motorola e alcançou um público muito mais vasto no iOS 6, o mais recente software para iPhone.

No modo de Não Incomodar, o nosso telemóvel não toca, vibra ou se ilumina. É exactamente como no Modo de Avião, excepto que podemos escolher quais as pessoas cujas chamadas e mensagens de texto podem passar para lá do filtro e ser atendidas.

Que belo arranjo para as nossas noites: quando estamos a dormir, as pessoas que são mais importantes para nós podem contactar-nos se for importante, mas os idiotas das vendas por telefone são atirados para a caixa de mensagens. Para tornar as coisas ainda mais apelativas, no iOS 6 podemos elaborar um horário para Não Incomodar, de forma a que se ligue automaticamente na hora a que normalmente nos vamos deitar e se desligue quando acordamos.

Uma tecla especial, Chamadas Repetidas, lida com situações urgentes. Se alguém nos tenta ligar mais do que uma vez em menos de três minutos, é óbvio que está desesperado para entrar em contacto connosco. O Não Perturbar permite que essas chamadas façam tocar o telemóvel.

Fogões de indução total

Todos conhecemos os fogões com placas de indução, certo? A sua superfície é brilhante, dura, e não fica quente. Apenas a frigideira ou a panela aquecem (temos que utilizar material de cozinha ferromagnético especial). 

Normalmente, estas placas apresentam uns círculos pintados que nos mostram onde podemos colocar as panelas. No ano que acabou, a Siemens e a sua subsidiária Thermador introduziram os fogões de indução total: podemos pôr as panelas ou as frigideiras (até quatro ao mesmo tempo) em qualquer local que desejarmos. A placa detecta automaticamente o tamanho, o formato e a localização das panelas.

Cantinho das crianças

Os telemóveis com Windows Phone não estão propriamente a vender-se como pãezinhos quentes, mas não é por o seu “software” não ser bom. E o Cantinho das Crianças está particularmente inspirado e bem conseguido.

O problema: temos um filho no banco de trás do carro queixando-se que está aborrecido e sem nada para fazer, e implora que lhe passemos para a mão o nosso telemóvel (Sim, sim, bem sei que é um problema do Primeiro Mundo rico, mas existe).

No “software” Windows Phone 8, com uma rápida arrastadela para a esquerda no ecrã bloqueado, abre-se o Cantinho da Criança, uma versão mais limpa do sistema operativo e que apenas inclui aplicações, músicas e vídeos que já escolhemos antecipadamente. Pesquisa na Internet, correio electrónico e chamadas telefónicas não são permitidos. Tal como a aquisição de/em aplicações.

Por esta altura, já devem ter percebido que muitos dos vencedores desta edição dos Prémios Pogie são funcionalidades de “smartphones”. Isso acontece não porque os membros do júri sejam fervorosos adeptos de telemóveis, mas sim porque, nos dias que correm, os telemóveis recebem a maior parte dos esforços de imaginação, talento e recursos financeiros da indústria.

Muita imaginação, muito talento e muito dinheiro – são os nossos desejos para todo vós em 2013. Feliz Ano Novo altamente tecnológico!

© 2013 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.
 

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