Regras

A sabedoria antiga dizia que se deviam seguir sempre duas regras. A primeira era económica: "não pôr good money after bad" em nenhum negócio, que perde dinheiro e não tem viabilidade. E a segunda era militar: "never reinforce failure", ou seja, nunca reforçar posições perdidas. Dois truísmos, que parecem ridículos, se não nos lembrarmos de que o pânico regularmente os favorece. A cimeira preparatória de Roma, já em si uma trapalhada incompreensível, parece que oscilou entre a prudência tradicional e uma ambição suicida. O projecto de preparar um "pacote" de 130.000 milhões de euros, para uma pretensa "estabilização", que não vai além de 1% do PIB da "Europa" (uma "ajuda" que mal chega para a dívida espanhola), não muda nada, nem é susceptível por enquanto de inquietar ninguém.

Os planos para o futuro, em contrapartida, não sossegam ninguém. Postos perante a catástrofe do euro, os "quatro grandes" (a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha - porque a Inglaterra prudentemente ficou de fora) pensam em persistir no erro. Como a "união monetária" está pelas ruas da amargura, resolveram "aprofundar" Maastricht e estabelecer (suponho que a prazo) uma verdadeira "união económica". Claro que as condições que produziram Maastricht continuam na mesma (de facto, até se foram degradando com os casos da Grécia, de Portugal, da Espanha e da Itália, e com o soi-disant "alargamento") e não se compreende por que mecanismo os remotos sábios de Bruxelas descobriram de repente as suas virtudes curativas. Porque manifestamente a economia dos fracos não se irá regenerar tão cedo e porque de qualquer maneira a "união económica" implica a união política.

Ora, para começar, a união política não serve qualquer objectivo de contenção ou defesa a leste. Desarmada e em crise, e sem contar com o velho guarda-chuva americano, à "Europa" só resta assistir inerme ao "renascimento" de Putin (o que não tranquiliza a Roménia, a Bulgária, a Polónia, a Hungria ou os países bálticos). Pior ainda: se por milagre a "união política" nascer de alguma desvairada "cimeira", resta saber como se conservará a coesão interna do que existe e, sobretudo, quem inevitavelmente a dominará e em que termos. Nesse dia, os nossos pequenos conflitos não serão mais do que a memória dos tempos felizes. Os "quatro grandes", para nossa desgraça, não conseguiram aprender o essencial: não pôr dinheiro "bom" por cima do "mau" e não "reforçar o falhanço".

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