Os limites da inteligência

Quando se anunciou a Expo para Lisboa foi por aí um grande entusiasmo. O Presidente da República, o primeiro-ministro (nessa altura, o dr. Cavaco) e o dr. Sampaio que andava pela câmara à espera de Belém não se contiveram. O que se disse parece inventado: que a Expo era a prova provada de que Portugal "estava na moda"; que o mundo se iria extasiar com a criatividade indígena; que, no fim, não custaria um tostão ao Estado; e que, além disso, não se podia conceber um "pretexto" (sic) tão bom para "reabilitar" a Lisboa Oriental. As coisas não correram como se esperava. O mundo, tirando a Espanha, ignorou largamente essa obra salvífica; a criatividade indígena não produziu nada de espantar; o custo da Expo e adjacências ficou por muitos milhões de contos mais do que o enérgico comissário Cardoso e Cunha tinha calculado (e que, de resto, ainda não se pagaram); e a zona ribeirinha da Lisboa Oriental, a mais valiosa, continuou tranquilamente a apodrecer ao sol. A Expo, essa maravilha, deixou só um novo arrabalde, longe do centro, uma ilhota de kitsch em homenagem aos seus lúcidos promotores.