O café milagre

São paraísos passageiros. São coisas boas que ainda existem - muitos acabam de nascer - mas que são boas de mais para continuar. O destino delas está escrito na alegria que dão e na saudade que vão fazer. Vivem de mais para sobreviver.

Quase dá azar falar nelas. Eu cá tenho-me calado bem caladinho. Mas a única esperança de as impedir de mudar é tratá-las, no espírito do Bésame Mucho, como se só lá se pudesse ir uma última vez.

Só há em Portugal um café perfeito: o Café Saudade, em Sintra. É um segredo que já muita gente guarda há tempo de mais. São salas bonitas cheias de gente feliz, a comer e beber coisas boas, sem pressas nem atalhos. Apetece passear de uma para a outra, como quem descobre uma casa antiga que conseguiu fugir ao tempo.

Era aqui que se faziam as queijadas da Mathilde, quando Sintra era Cintra. Ainda anteontem Daniel Sampaio, na revista 2, regressava a Sintra com saudades alegres, sob o título O consultório do meu pai. As lembranças comoveram mas a novidade foi ter os olhos tão abertos que não só fugiu ao "dantes é que era bom" como foi capaz de ver que as queijadas da Sapa e o restaurante Apeadeiro estão ainda melhores do que se lembrava.

O Café Saudade também fica perto da estação de comboios - ou seja, a poucos passos de qualquer estação da linha de Sintra, a começar pelo Rossio. Nunca foi tão bom como é hoje e milagre será se continuar a ser. Mas já é assim, dia após dia, há quase três anos. Como pode ser?

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