Negar a História
Há duas semanas, escrevi aqui que a manipulação da História em nome da Nação e de Deus prejudica sempre a coexistência pacífica e democrática entre os povos, e que este pressuposto se tem confirmado, com consequências mais trágicas do que noutras parte do mundo, em Israel e no Médio Oriente em geral. O tema deve mobilizar a nossa atenção, não simplesmente porque ajuda a perceber como se constroem mitos perigosos em torno de identidades coletivas que continuam a produzir mortes, hoje como há 50 ou 100 anos, mas porque o conflito israelo-árabe é o mais permanente e inultrapassado dos problemas internacionais desde há 65 anos, com múltiplas metástases. Pior: alimenta uma das teses mais populares, e mais medíocres, alguma vez produzidas pela historiografia norte-americana, a do Choque de Civilizações (Samuel Huntington, 1996), que se transformou na bíblia (nunca mais bem dito...) de quem decidiu substituir a visão de um mundo dividido por uma Guerra Fria político-ideológica por uma outra de aparência religiosa/civilizacional. Ler o mundo e a História desta forma é de uma grande pobreza intelectual, mas há quem queira que o leiamos assim...
