Ganhar à sueca

A Eurovisão este ano veio de Baku, no Azerbaijão, capital europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

Tive o azar de chegar tarde a casa, depois das onze da noite, por ter sido retido por um jantar amoroso com a Maria João. Não só perdemos todas as canções - infelizmente só não perdemos a portuguesa, porque Portugal não concorreu - como só pude apanhar os últimos momentos da votação. Ganhou a Suécia com uma canção chamada Euphoria, que induzia uma depressão instantânea em quem a ouvisse. Ganhou, gosto de pensar, porque a concorrente sueca notou as diferenças entre a democracia da Suécia e a do Azerbaijão.

Engelbert Humperdinck, pelo Reino Unido, ficou em penúltimo. Nos anos 1960 era o Tom Jones dos pobres. E Tom Jones já era dos pobres mineiros do País de Gales.

Tem duas canções memoráveis. A mais é Release Me, usado no genérico do ainda genial embora antigo The Fast Show. A canção é tão má que a própria letra implora "release me, let me go".

A segunda era Spanish Eyes, que tinha o verso: "Please don"t cry, this is adios and not goodbye." Vale a pena ir ouvir os 30 segundos delas que são de borla na Amazon ou no iTunes. Não só chegam como sobram: é como ouvir trinta minutos, sem querer.

O que é incrível é que tanto uma como outra cantiga são melhores do que as menos repugnantes cantilenas da Eurovisão. É, como a antimatéria, uma antimúsica que ofende e destrói mesmo quando não se ouve. Não pode ser magia - é física.

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