espaçopúblicocartas à directora

Uma questão de preço

"Nós sabemos que o preço da água é o melhor regulador para um uso cauteloso, prudente e económico da própria água", afirmou no Parlamento a ministra do Ambiente e de outras coisas mais. Frase reveladora de uma maneira de pensar: o preço é "o" melhor regulador. Como se a água fosse um qualquer bem de consumo; como se a água não fosse escassa; como se o acesso devesse ficar subordinado à capacidade de pagar; como se fosse aceitável o uso imprudente e o desperdício, desde que pago; como se o clima fosse imutável e favorável. Nem a seca fez perceber à ministra que nem tudo é uma questão de preço!

Miguel Santos Conceição, Aveiro

"O alívio do nó"

Os portugueses que há muito, estão encostados à parede, debilitados ou em equilíbrio instável, não necessitam, para serem esmagados, de uma força suplementar, grande. Basta que trimestralmente cheguem "os três preparadores de obra externos", com os mapas das medidas e de distribuição de tarefas a tomar, e entregá-los, exigindo com firmeza o seu cumprimento, aos nossos "protectorados" capatazes, merceeiros e cobradores de impostos, que se acham "governantes", para que o povo comece a pensar em grego, e procure a melhor árvore para fazer o laço que o "libertará" do suplício a que anda submetido (...). Qualquer explicação oficial (...) não alivia o sufoco em que vive e não lhe desaperta o nó, até porque qualquer nota explicativa é má pagadora, é sempre tardia e não lhe mata a fome, muito menos lhe salda as dívidas, nem as penhoras, entretanto acumuladas ou contraídas, e o caixote do lixo execrável não é solução mínimamente digna. O drama aumenta quando pensamos (a cabeça não descansa) que os dias futuros em que os mergulharam já ontem serão de continuidade do sacrifício e das promessas de que tudo se irá resolver num qualquer ano 13, e se for lapso será a partir do ano 15 deste século, ou de outro qualquer. Até lá, não será difícil saber porque é que a árvore, não pára de abanar com a corda dependurada. A culpa nunca será do jardineiro suspenso, mas dos "coveiros" chamados a cuidar dela e dele.

Joaquim A. Moura, Penafiel

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