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Telefone: 210 111 000O país de mão estendida

Não, não vou falar do bodo do 1.º de Maio facultado por uma superfície comercial, já basta pela exaustão. Sem dúvida que é um sinal, mas sem expressão dramática, apenas folclore de um lado e doutro. Não, não é coisa pontual de alguns milhares, é coisa de fundo, de milhões, de muitos milhões, e é muito sério.

Falou o ministro da Saúde, numa carga de propaganda para dar a entender a misericórdia do seu Governo e seu elevado espírito de solidariedade, que os isentos de taxas moderadoras serão mais de 5 milhões. No universo de 10 milhões que somos é obra! Claro que não se apresenta a desagregação desse número brutal, quantos são crianças, homens, mulheres, quantos são por doenças, quantos são pela tal carência económica. (...) Todavia, dá para especular um pouco, embora com a alma franzida. De facto, o que pode fazer um país com tal retrato da sua população, que papel no mundo de hoje globalizado e hiperconcorrencial? Bem pode o PR (...) propalar que temos que enaltecer vantagens, potencialidades e o histórico espírito de aventura e risco dos portugueses, que a crueza destes números interpõe-se de forma esmagadora. A atávica miséria e a mão estendida têm então esta expressão dolorosa, mais de 5 milhões, mais de metade da pátria, cá do rectângulo e adjacentes! Com esta vantagem competitiva, com esta propensão para a poupança, o risco, a aventura, nem sequer a Badajoz chegamos, como o TGV! Pobre país, muito pobre, com tantos pobres, e doente, muito doente, pelo menos com tantos doentes como pode ir além!?

Francisco Filipe, Lisboa

A vitória de Hollande

Nos cadernos de Lanzarote, José Saramago reflecte sobre a hegemonia económica da Alemanha sobre os outros países da Europa, lançando até a suspeita de que Portugal será a curto prazo um sítio e não um país. Palavras sábias, que se têm agudizado nos últimos tempos de austeridade severa (...).

Talvez que a vitória de Hollande sirva de motivação a políticas de crescimento económico e incentivo ao emprego que a senhora Merkel tem evitado através de uma política de austeridade que só tem servido para sacrificar as pessoas. A posição de Mário Soares, embora criticada pelos que vêem na troika a salvação, afigura-se de uma lucidez a todos os títulos louvável.

Maria José Boaventura, Lisboa

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