A voz do empregado

Scott Sayare, no New York Times de 7 de Julho, relatado no publico.pt por André Arede Sebastião, acha que talvez não haja povo mais aquiescente do que o português.

O título da reportagem opinativa é "Portuguese Just Shrug and Go On in the Face of Cuts and Job Losses". Este encolher de ombros tem, na cultura americana, um aspecto cool de não ligar muito às coisas, de dizer "whatever" e continuar como se nada tivesse acontecido.

A única nota genuinamente condescendente é uma citação de Daniel Gros, director do CEPS, financiado a 31% pela Comissão Europeia, que contribui o seguinte lamento: "Pobres dos portugueses, cuja única negligência foi não terem investido mais no capital humano de alta qualidade." Como só restam humanos portugueses de baixa qualidade (a doutrina eugénica, cara ao nazismo, ressurge agora no chamado pensamento económico), "o único caminho para o crescimento será através de mais cortes salariais". Eis como Sayare resume a receita de Gros que faz o favor de acrescentar à dica "que isto é porque a economia deles [portugueses], dado o baixo capital humano, está, estruturalmente, nos produtos e nas indústrias onde a concorrência de baixos-ordenados é mesmo avassaladora".

É pobre quem pensa assim. Regista-se mas não se reage. É sempre bom saber o que pensam aqueles que não estão sujeitos às leis do mercado - e o que sentem que devem dizer, para não perderem os subsídios. Que tudo corra bem ao Herr Gros.

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