39 anos depois (e II)

Um país de gente, outra vez, em fuga. Há 39 anos, o país em que Adriano Correia de Oliveira cantava Rosalía de Castro para denunciar que "este parte, aquele parte, e todos e todos se vão", empurrava 150-200 mil pessoas por ano para fora do seu território. Hoje volta a acontecer a mesma coisa. Treze anos de guerra colonial e uma opressão que não dava chance alguma à livre expressão das expetativas sociais, culturais e políticas, e 1,4 milhões de portugueses emigraram, 60% dos quais fugindo a salto, ilegalmente, para recomeçar a vida numa bidonville francesa, sem sequer poder regressar se se tivera fugido a anos de tropa em África. Até isso era preferível a ficar num país cuja economia e salários cresciam mas que encalhara na ditadura e na guerra.