Militantes curdos presos terminam greve de fome de mais de dois meses

Curdos a manifestarem-se pelos presos em greve de fome Adem Altan/AFP

Centenas de militantes curdos que estavam em prisões turcas terminaram neste domingo uma greve de fome de 68 dias. No sábado, o líder curdo Abdullah Ocalan, que também está preso, tinha já pedido o fim deste protesto. Os presos entraram em greve de fome por melhores condições para Ocalan e para exigir que a língua curda seja mais usada nas actividades públicas da Turquia.

O pedido feito por Ocalan, responsável pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PTC), aconteceu depois de o líder curdo ter tido várias reuniões com os serviços secretos turcos, adianta a agência Reuters. Estas reuniões e o fim da greve são uma fonte de esperança para que as conversações entre o partido e o Governo turco sejam reatadas.

O PTC é considerado um grupo terrorista pela Turquia, pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Segundo a Reuters, mais de 40.000 pessoas foram mortas nos últimos 28 anos devido a conflitos entre as autoridades de Ankara e o partido de Ocalan. O líder está a cumprir uma pena perpétua numa prisão perto de Istambul.

“Devido ao pedido do nosso líder… paramos o protesto a 18 de Novembro de 2012”, disse Deniz Kaya, citado pela Reuters. Kaya é o porta-voz dos militantes do PTC que estão presos e que receberam o pedido de Ocalan através de um comunicado.

O anúncio foi bem recebido pelo Governo da Turquia, que temia que a greve provocasse a morte de algum militante e incendiasse ainda mais a situação. “Espero não ter de enfrentar protestos como estes de agora em diante. A Turquia é um país democrático”, disse Bülent Arinc, vice-primeiro-ministro turco, citado pela Reuters.

As ligações entre os curdos e os turcos têm estado tensas. Os responsáveis turcos acusaram o Presidente sírio Bashar al-Assad de dar armas aos militantes curdos que lutam por território autónomo no sudeste da Turquia, explica a Reuters. Ainda não se sabe se a situação de Abdullah Ocalan vai mudar, mas o Governo turco está prestes a apresentar uma lei que vai permitir aos curdos usarem a sua língua nos tribunais.

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