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Eusébio lidera glórias do futebol português no funeral de José Torres

José Torres morreu na sexta-feira, aos 71 anos DR

Cerca de três centenas de pessoas, entre as quais muitas glórias do futebol português, despediram-se neste sábado do antigo internacional português e avançado do Benfica José Torres, conhecido como o "bom gigante", que foi a enterrar no cemitério da Amadora.

Presentes nesta última homenagem estiveram muitos dos colegas que partilharam com Torres os relvados, como companheiros de equipa ou adversários, e todos eles foram unânimes nas palavras: “Estamos a despedirmo-nos hoje de um homem muito bom, generoso e brincalhão”.

Eusébio, o maior símbolo do futebol português e um dos “magriços”, da equipa que chegou às meias-finais do Mundial da Inglaterra’66, presente no funeral, recordou com muita emoção que Torres foi a primeira pessoa que conheceu quando chegou ao lar do Benfica.

“É muito difícil para mim. Foi um grande, grande, grande amigo. Foi a primeira pessoa que cumprimentei quando cheguei a Benfica às 11h30 da noite, ao lar do clube. A D. Otília apresentou-me, mas eu já sabia quem ele era. Fiquei no mesmo quarto que ele e que o Cruz”, contou Eusébio com a voz embargada.

A antiga glória do Benfica enalteceu o “grande homem” que foi José Torres, lembrando que se tratava de alguém “que cumpriu sempre as suas obrigações, pelo que é importante recordar a grande pessoa que foi”.

“Sinto-me muito mal hoje por um homem como ele nos ter deixado. Sinto-me mal, não tenho palavras”, desabou Eusébio.

Humberto Coelho, antigo seleccionador nacional e jogador “encarnado”, recordou o homem “muito alegre” dentro e fora do campo, no balneário ou nos treinos.

“Era uma pessoa muito alegre, muito generosa. Lembro-me de que quando estávamos à rasca num jogo, dávamos a volta ao passar a bola ao Torres que resolvia logo”, contou Humberto Coelho.

Para o antigo seleccionador nacional, hoje é também “um dia triste”, mas uma altura para se recordar os “momentos de alegria e prazer com que o Torres presenteava os companheiros”.

Carlos Manuel, antigo médio ofensivo do Benfica, lembrou José Torres também pelas partidas que o avançado “encarnado” pregava aos colegas, recordou a generosidade do “bom gigante” e a bondade que tinha para todos.

“Ele andava sempre com rebuçados no bolso. Eu como sou fumador inveterado estava sempre a pedir-me para trocar o cigarro que punha na boca pelos rebuçados dele”, contou Carlos Manuel.

O antigo jogador recordou a última vez que esteve com Torres, há cerca de cinco ou seis anos. “Já não conheceu a maioria de nós”.

“Para o grande homem que foi, não merecia este fim que a doença lhe deu. Foram muito difíceis estes últimos anos para a família”, desabafou Carlos Manuel.

Fernando Oliveira, presidente do Vitória de Setúbal, um dos clubes em que José Torres foi treinador, recordou também o “grande profissional” com o qual teve a “grata satisfação de conviver”.

Luís Filipe Viera, presidente do Benfica, Maurício do Vale, em representação do presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, estiveram também entre os vários amigos presentes no adeus a José Torres.

Outras “velhas” glórias que marcaram presença no funeral foram António Simões, José Augusto, Mário Lino, Hilário, Romeu, Artur Santos, Pietra e Manuel Abrantes (Estoril).

À saída da igreja da Amadora, a urna estava coberta por três bandeiras: a do Benfica, a do clube Torres Novas, em que começou a jogar, e a do Vitória de Setúbal.

Francisco Torres, o mais novo de quatro filhos de José Torres, quer lembrar o pai como uma “pessoa sempre feliz e alegre, que sempre transmitiu isso para aqueles que o rodeavam, família e amigos”.

José Torres faleceu sexta-feira no Hospital dos Lusíadas, aos 71 anos, onde estava internado há cerca de 15 dias, depois de sofrer nos últimos anos da doença de Alzheimer.

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