A comissão eleitoral da UMP, o grande partido da direita francesa reconheceu que os votos de três circunscrições eleitorais de territórios ultramarinos não foram contabilizados e que a sua contagem levará provavelmente a “uma inversão dos resultados”. François Fillon poderá ainda sair vencedor, em vez de Jean-François Copé, reeleito líder no domingo com uma vantagem de apenas 98 votos.
Há acusações de fraude feitas por ambas as candidaturas, de votos das eleições de domingo para a liderança do partido que não foram contados, de que houve mais boletins de voto do que militantes inscritos e outras irregularidades. As denúncias foram feitas por ambos os campos, em várias circunscrições eleitorais.
Para tentar sair deste imbróglio, Alain Juppé, o último ministro dos Negócios Estrangeiros de Nicolas Sarkozy, fez esta quinta-feira uma oferta: com ambas as partes à apelar para que desempenhe um papel de mediador, Juppé propõe-se como presidente de uma instância colegial que reexaminará os resultados das eleições. “A oferta mantém-se só até às 20h00. Para além desta hora, não tenho intenção de me deixar instrumentalizar em confrontações perniciosas”, afirmou, em comunicado.
A campanha de Fillon tem cinco dias a contar da proclamação dos resultados para contestar a eleição – ou seja, até sábado, 24 de Novembro, explica o Le Monde. A dúvida era se Copé aceitaria a oferta de Juppé.
Jérôme Lavrilleux, membro da campanha para a reeleição de Copé na liderança da UMP deu uma conferência de imprensa convidando o homem que foi o único primeiro-ministro durante o mandato presidencial de Nicolas Sarkozy a fazer isso mesmo: “Se Fillon contesta a sua derrota, deve apelar à comissão de recurso [da UMP]. Num esforço para acalmar os ânimos, Jean-François Copé dirigiu-se também à comsisão e está pronto a aceitar o veredicto de Juppé”, garantiu.
Copé dirigiu o partido durante os últimos anos do mandato presidencial de Nicolas Sarkozy, nomeadamente durante a adopção da polémica viragem à direita que foi a sua estratégia para a campanha eleitoral para a reeleição (falhada), na esperança de secar a corrente social de crescimento dos sentimentos anti-imigração e proteccionistas explorados pela Frente Nacional de Marine Le Pen. Fillon foi o único primeiro-ministro de Sarkozy, mas representa uma direita republicana mais tradicional, que não viu com agrado esta viragem à direita.

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